Arquivo de June 2008

É triste dizer desta maneira, mas nós literalmente perdemos pessoas fabulosas, pessoas que amamos, que queremos tão bem, perdemos pessoas para um vício, outras vezes até para a própria morte. Assim eu me sinto em relação ao cigarro hoje em dia. Não basta dizer a plenos pulmões o quanto o cigarro faz mal a sua saúde. Se VOCÊ não quiser tomar consciência e acreditar que esse é um vício que vai te matar, nada mais fará você parar de fumar.

Foi pensando assim, que nos últimos dias assisti meu marido voltar a fumar, o que me deixou muito triste obviamente. No entanto, decidi que não ficaria sendo a ex-fumante chata que fala horrores sobre cigarro a cada 5 minutos quando sente vontade de fumar! Havíamos parado juntos, o que foi excelente para nós. Quando o casal para de fumar junto é bem mais fácil manter o ritmo sem cigarro. A casa rapidamente estava limpa, assim como roupas, cabelos, hálito.

O QUE FAZER NAS CRISES?

Eu vou parar de fumar

Nos últimos dias ele começou a sentir muita vontade de fumar e não queria recorrer a medicamentos. Acho que é um erro não recorrer a medicamento numa hora dessas. Ele já havia passado o pior em relação aos sintomas de abstinência, mas assim como eu, ele estava em uma fase muito perigosa, como explicarei adiante. Se ele voltasse a tomar BUP ou usasse o Niquitin, com certeza ele não estaria comprando um maço de cigarros por dia novamente.

Fazem quase dois mêses que não fumo. Vou explicar, como afirmei anteriormente, porque estou em uma fase muito perigosa. O problema é a falsa sensação de controle sobre o vício que pensamos ter. Depois de passar dias bastante difíceis com crises de abstinência, e usando tanto BUP quanto Niquitin, passei a controlar melhor a vontade de fumar.

Algumas semanas se passaram, abandonei os medicamentos. Fui diminuindo a dosagem paulatinamente e agora não estou fazendo uso de nenhum deles mais. Fiquei mais confiante pois diminuíram as vontades intensas, mas não desapareceram…

Se sinto vontade de fumar?! Claro! Mas hoje em dia, penso que se o controle sobre essa vontade ficar abalado eu volto a tomar remédio e faço o que for preciso para não voltar a fumar! Não vou perder todo o esforço que tive até agora e jogar simplesmente tudo fora! Nós, ex-fumantes não temos controle de nada! Não podemos fumar nem um cigarro! Esse “falso controle” é exatamente o que propiciou ao meu marido a chance de voltar a fumar . Neste momento, se você não for realmente perseverante, você voltará a fumar! Parece que você tem o controle sobre a situação. Você pensa: - Se eu fumar um cigarro, eu ainda sim terei o controle e posso parar de fumar quando quiser… será só um cigarro…bla… bla…bla…bla…

Assim; vi meu marido não encontrar nenhum problema em fumar apenas um cigarro quando estava tomando um chopp. Ele pensou que tinha o “controle”. Depois ele também não viu problema em fumar dois , depois em fumar 3, 4, 5, 6… quando dei por mim ele havia comprado um maço de cigarros :(

FALSO CONTROLE

O “falso” controle que sentimos nos deixa cegos. Parece uma armadilha do cérebro para conseguir mais um pouquinho de nicotina. Mas, como um maquiavélico torturador, seu cérebro faz você pensar que tem total controle da situação, afinal; você já passou o pior! Assim, a sedução do traguinho, transforma-se em um cigarro e em outro, em outro, outro…

Fico realmente muito triste que meu marido tenha caído nesta cilada, em um dos períodos mais difíceis, que são os três primeiros mêses sem cigarro. Torço para que assim como ele, outras pessoas que “tropeçaram”, reflitam sobre o problema e tentem novamente.

Bem; mas algumas coisas nos fazem ficar animados também, as vezes que é possível deixar esse vício. Recebi a visita de um ex-fumante aqui no blog. Fazem 9 mêses que ele parou de fumar e tem um blog também chamado “Vinho sem Cigarro” . Encontrei um artigo ótimo no blog dele, sobre uma entrevista do Chico Anísio falando sobre a luta contra um enfisema pulmonar. Trouxe aqui para nossos leitores mas aconselho uma visita ao Vinho sem Cigarro para acompanhar a jornada de ex-fumante do nosso amigo VInho. Algumas citações do Chico na entrevista:

Falando sobre o enfisema pulmonar adquirido com o hábito de fumar:

“De tudo que eu fiz na vida, das bobagens todas que eu cometi, eu só me arrependo de ter fumado, fumar foi realmente, uma bobagem muito grande…”

Eu vou parar de fumar

“Podia ser um câncer, o enfisema foi um presente que eu ganhei, porque pelo tanto que eu fumei, o certo era ter um câncer…”

“Eu tenho 50% do pulmão, o resto é palha”

“Eu me canso com uma facilidade enorme… eu vou… daqui ao meu quarto é uma caminhada, é longe o meu quarto…. É longe, cê não faz idéia…”

“ Aeroporto, cadeira de rodas, vou pro Claro Hall, cadeira de rodas…”

“Viajar eu não viajo mais, porque viagem significa caminhar né? Prá ver as coisas…”

Segue o relato de Mara Regina Weiss que também dá seu depoimento aproveitando as palavras do Chico:

“Sim, como o Chico eu também tenho enfisema. Meu pai morreu de enfisema pulmonar. Uma doença degenerativa em que os pulmões perdem a elasticidade e as paredes periféricas dos órgãos são substituídas por grandes bolsas de ar. A respiração se torna progressivamente mais difícil. Mais letal que a bronquite, o enfisema é uma doença progressiva que pode levar à morte. A lesão pulmonar causada pelas DPOCs ( doenças pulmonares obstrutivas crônicas) é irreversível. Portanto, não há cura, e sim controle do avanço da doença. “É como se o pulmão fosse uma rede e de repente fizessem um buraco nela. Ela nunca mais poderá ser a mesma”, explica um pneumologista.

Em quadro clínico avançado, o enfermo não consegue realizar ações simples, a exemplo de pentear o cabelo, tomar banho, alimentar-se, caminhar e até conversar. O indivíduo passa a depender da ajuda de familiares e/ou um cuidador para exercer essas atividades e necessita adotar tratamento com medicação específica, bem como implementar algumas mudanças nos hábitos. O enfisema pulmonar pode evoluir para um quadro de insuficiência respiratória e daí para um estágio terminal, em que a pessoa fica presa ao balão de oxigênio 24h por dia.
E como diz o Chico, na entrevista, tudo é muitoooo longe! O seu quarto, nas crises, fica a kilômetros de distância…A gente cansa fácil, muito fácil. Caminhar se torna uma maratona, e subir morros….bem, subir morros a pé, nem pensar! O inverno se torna um martírio e o calor do verão, quando é demais, também não nos faz sentir bem! Respirar, prá quem tem enfisema, se torna a coisa mais preciosa do mundo. Que coisa hein? Algo sobre o qual a gente nunca pensou tanto!

Respirar!!!! Que coisa maravilhosa!

Se fumar é tão ruim e lhe faz tanto mal e ainda assim você continua… Se lhe faz feder - sim, quem fuma fede mesmo, me desculpe, eu também não gostava de ouvir isso, mas é verdade! Se lhe faz dependente física, química e psicológicamente de um rolinho de papel, se você vira escravo de um “pedacinho de coisa ruim” entre os dedos, e ainda assim você insiste em não largar, sabendo que por isso, cedo ou tarde vai morrer de infarto, ou enfisema, ou qualquer outro raio de doença que lhe acometa e lhe tire o ar… O ar, oxigênio… lembra dele? Porque a gente só lembra quando ele nos falta! O ar que hoje é tudo pra mim, e que você precisa prá viver, prá caminhar, pra beijar seu marido ou sua esposa, prá brincar com seu filho, ou seu neto…Prá tomar banho, que seja, ou simplesmente prá berrar agora comigo a raiva que você tá sentindo!

Se você sabe de tudo isso, e ainda fuma, me desculpa meu amigo, VOCÊ É UM SUICIDA, EM POTENCIAL !”

Você pode conferir na íntegra o depoimento da Mara Regina Weiss aqui.

Espero que todos que retornaram consigam parar algum dia. Isso inclui minha querida e serelepe sogra Dorine, que vive lá na longínqua Bélgica. Ela deveria seguir os conselhos da Charlien e tentar parar de fumar novamente. ;) Nunca é tarde para tentar novamente e vencer a batalha. Afinal; o que faz uma pessoa continuar fumando mesmo sabendo de todos os riscos que corre? Por que continuar a fumar ? Cada um tem seus motivos… mas será que valem realmente a pena? ;) Continuaremos a perder pessoas para o vício do cigarro? :(

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Um curioso estudo levado a público por uma universidade da Bélgica relaciona obesidade e uso de tabaco a um alto risco de dano a audição. O estudo divulgado no iníco deste mês vem acrescentar a longa lista de malefícios provocados pelo cigarro, assunto já discutido por nós aqui no blog.Eu vou parar de fumar

O estudo foi divulgado na na Folha de São Paulo no dia 10 de Junho e você pode conferir aqui:

“Fumo e obesidade podem contribuir para danos permanentes à audição, segundo um estudo liderado pela Universidade da Antuérpia, na Bélgica, e parcialmente financiado pela caridade britânica Royal National Institute for the Deaf (RNID).

Segundo o estudo, tanto o fumo como a obesidade podem ameaçar o fluxo de sangue ao ouvido, e a seriedade dos danos está diretamente associada ao nível de obesidade e à duração do hábito de fumar.

A pesquisa envolveu 4.083 homens e mulheres com idades entre 53 e 67 em sete países europeus. Todos os participantes passaram por um teste de audição e responderam perguntas sobre seu estilo de vida e trabalho.

Segundo um dos autores da pesquisa, Erik Fransen, da Universidade da Antuérpia, o estudo observou que a habilidade de ouvir sons de alta freqüência era prejudicada em fumantes e obesos.

No caso do fumo, o problema começava a despontar depois de a pessoa fumar regularmente por mais de um ano.

E, segundo Fransen, ao contrário de outras partes do corpo, uma vez que o dano no aparelho auditivo ocorre, não há perspectiva de recuperação.

Fluxo de sangue

A teoria por trás do dano à audição é semelhante às que explicam como o fumo e a obesidade podem prejudicar outros órgãos.

Tanto o fumo como a obesidade prejudicam o fluxo de sangue pelo corpo. Nesse caso, a quantidade de oxigênio que chega à cóclea, no ouvido, é reduzida, o que pode levar a um aumento de radicais livres no tecido da cóclea, causando danos, morte de células e eventual perda de audição. Mas o estudo ressalta que novas pesquisas são necessárias para entender exatamente porque fumo e obesidade causam perda de audição.

Amanda Sandford, da organização não-governamental britânica Action on Smoking and Health (ASH), disse que os resultados, publicados no Journal of the Association for Research into Otolaryngology, deveriam servir como um alerta principalmente a jovens fumantes.

“Há muitos jovens que acreditam que podem parar de fumar na meia-idade e escapar das doenças associadas ao fumo. Mas, nesse caso, o dano já pode ter sido causado”, afirmou.

Apesar de destacar os efeitos que o fumo e a obesidade podem ter sobre a audição, o estudo afirma que o impacto não é tão sério como o causado pela exposição a níveis altos de barulho no local de trabalho.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), exposição ao barulho excessivo é a principal causa evitável de perda de audição no mundo.”

Fonte:

Folha Online

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A cardiologista Jaqueline Scholz Issa apresenta seu livro”DEIXAR DE FUMAR FICOU MAIS FÁCIL“. O mérito deste simpático trabalho é tratar o assunto com respeito e objetividade. O livro informa o que é necessário saber, baseado em pesquisa e na longa prática da autora, cardiologista que coordena o Ambulatório de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração da FMUSP Incor de São Paulo.Essencial para quem está flertando com a idéia de parar de fumar, ou já tentou e não conseguiu. Prefácio do Dr. Adib Jatene.

O jovem mantém a indústria do tabaco e ela conhece a vulnerabilidade desse público”. É o que afirma a Dra. Jaqueline. Ela trouxe para o Brasil, em 1993, a iniciativa do Dia Mundial Sem Tabaco. Neste ano, o tema da campanha coordenada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é “Juventude Livre do Tabaco”. O adolescente ainda é uma das principais vítimas do cigarro, segundo a médica, apesar de o Brasil ter evoluído no combate ao fumo. No último dia 02 de Junho ela falou à Folha sobre tabagismo.

FOLHA - Por que o jovem é o foco da campanha desse ano?
JAQUELINE SCHOLZ ISSA - Ele mantêm o negócio da indústria. Depois, quando vai envelhecendo, tende a parar de fumar. Ou porque morre, ou porque adoece, ou quando após 20 anos de fumo diversas conseqüências começam a aparecer. Então, uma nova safra de jovens é atingida para manter o mercado.

FOLHA - Como ele é fisgado?
JAQUELINE - As características da adolescência o deixam vulnerável. A indústria sabe disso. Não tem mais publicidade direta, mas tem publicidade no ponto de venda, misturado com docinho, balinha. O jovem não pensa no amanhã. Ele acha que tem total domínio e controle. Mas de seis meses a dois anos de uso, ele perde a autonomia.

FOLHA - Mas tivemos uma redução no consumo ao longo dos anos?
JAQUELINE - Na década de 80, o Censo mostrou que a prevalência entre adultos era de 30%. Recentemente, por pesquisas amostrais, sabemos que é de 20% no Brasil. Tínhamos uma parcela grande da população condescende com o tabagismo e que achava até bonito fumar.

FOLHA - Esse dado também vale para o jovem?
JAQUELINE - Os dados são controversos e, no Brasil, variam muito. No Sul, as meninas fumam mais que os meninos. No Estados do Nordeste, elas fumam menos. A idade em que o jovem começa a fumar caiu para 13 anos. Era entre 15 e 16 na década de 80. Essa geração é beneficiada por não ter propaganda. Hoje, o jovem que fuma mais é de nível sociocultural mais baixo. Se não tivesse sido feito nada, o consumo entre os jovens teria disparado.

FOLHA - E o que o Brasil fez para conter essa disparada?
JAQUELINE - O Brasil é um país que, apesar de ser grande produtor de tabaco, tem resultados objetivos na política antitabaco. A OMS preconizava três medidas básicas para reduzir o consumo no mundo. A primeira era criar ambientes livres de tabaco. A segunda, a restrição à propaganda. E a terceira, o aumento de preço. O Brasil restringiu a propaganda e umas cidades criaram o ambiente livre.

FOLHA - O que precisa melhorar?
JAQUELINE - Tem que ser criada uma política de aumento de preço e aumentar os investimentos em fiscalização a quem vende cigarro a menores.

FOLHA - E qual é a reação da indústria diante dessas medidas?
JAQUELINE - A indústria sabe o que faz em relação à população, e isso está provado em documentos que tiveram que ser abertos à Justiça americana após o escândalo da supernicotina em 1996. O FDA [órgão que regula o setor de saúde nos EUA] afirmou que a nicotina do tabaco era turbinada, com inclusão de amônia e até modificação genética da folha do fumo. Começaram a sair documentos que a indústria produzia em termos de mídia e de marketing. Descobri que eu estava nos arquivos da Philip Morris, em função das minhas pesquisas sobre o cigarro.

FOLHA - Os documentos revelam informações sobre o público jovem?
JAQUELINE - Um documento da J.R. Reynolds tratou os jovens como um número. Tem dados de em que idade a pessoa começa a fumar, se muda de marca ou não, com que idade começam a parar, quanto que o mercado precisa de reposição. Outro documento mostrou que a Philip Morris tinha um projeto fundamentado na imagem que o cigarro poderia ter para o adolescente, relacionando o cigarro ao ritual de passagem para uma vida adulta, além de toda uma mídia voltada a isso.

FOLHA - A mulher também é uma aposta da indústria?
JAQUELINE - Sim. Era um mercado a ser ganho. Mostrei em 1996 que as mulheres têm mais dificuldade para largar o cigarro, mas descobrimos que a indústria já sabia disso desde a década de 60.

FOLHA - Como o Dia Mundial Sem Tabaco foi trazido para o Brasil?
JAQUELINE - Na época, o Brasil tinha pessoas que lutavam contra o cigarro que não tinham espaço na mídia. A gente conseguiu, com o nome do InCor e com muito material passado pela OMS atingir a mídia. O volume de notícias produzidas contra o fumo cresceu muito. A ação da mídia foi fundamental.

FOLHA - Por que o último relatório da OMS foi tão catastrófico, mostrando que o cigarro pode matar 1 bilhão de pessoas no século 21?
JAQUELINE - Porque em outros países emergentes a questão é outra e está explodindo o tabagismo. Em populações muito maiores como China e Índia, quase 70% da população masculina é fumante.

Entrevista concedida à MÁRCIO PINHO
da Folha de S.Paulo no dia 02 de Junho de 2008

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