Arquivo da Categoria “Crises de abstinência”


Todos que acompanham o blog  sabem eu parei de fumar há pouco mais de 04 meses. Mas vou confessar uma coisa a todos os meus leitores: Não existe um dia nestes quatro meses que eu não tenha deixado de pensar em fumar, apesar de não ter cedido a tentação.

Não quero dizer com isso que vivo dias insuportáveis com fissura de fumar o tempo inteiro. Não! Isso não aconteceu nem nos primeiros 7 dias que foram os mais difíceis. Passados os 3 priemiros meses, as crises de abstinência desaparecem.  O péssimo humor, especialmente dos primeiros dias, a incontrolável necessidade de colocar algo na boca, e muitos outros sintomas, simplesmente desaparecem.

O que parece restar depois desta fase, é um apêgo psicológico. Para algumas pessoas isso pode ser mais intenso que para outras. Sinto vontade de fumar esporadicamente. Não é como antes, que eu tinha vontade de fumar em momentos específicos, como depois do almoço, por exemplo. E hoje quando sinto vontade de fumar, não é bem fumar…é uma falta estranha que não é daquele sabor, não é a fumaça…definitivamente a falta não é do cigarro! Mas aprendemos a controlar esse desejo.

Então acontece uma coisa muito perigosa com quem está parando de fumar: excesso de confiança! Você se sente um ex-fumante com alguns meses de separação do tabaco, mas a verdade é que estamos em risco ainda. Veja o comentário que recebi de um leitor aqui do blog ontem:

“Miguel disse em: 15 de September de 2008 às 7:42 pm -

Olá glaucia, ainda bem que você está muito consciente do risco de voltar a fumar! talvez eu não deveria estár dando esse depoimento, mas depois de SEIS MESES, eu acabei retornando ao vicio por estár muito confiante e inexplicávelmente resolvi comprar um cigarro, que fumei somente a metade pois o cheiro e o gosto estavam horríveis, alguns dias depois outro, depois mais dois e agora estou fumando quase dois maços por dia e não está mais me satisfazendo, sem contar que estou envergonhado, decepcionado e frustrado pelo fracasso. sei que joguei o esforço de SEIS MESES de luta, sacrifício e superação por agua abaixo, agora não estou encontrando forças para tentar novamente, a cada dia que passa o desanimo aumenta e sinto o maior arrependimento por ter sido tão imprudente e fraco.
O objetivo da minha participação é para alertar as pessoas que conseguiram parar de fumar, para não cometerem o mesmo erro que eu cometi, pois tenham certeza que um “traguinho” certamente é o atalho para o vicio. não dêem o primeiro trago. NUNCA!!!!
Grande abraço a todos. continuarei lendo sempre seus depoimentos para encontrar motivação e forças para parar novamente e desta vez, definitivamente.
Gláucia, meus parabéns pela vitória, pelo blog, e muito obrigado pelo espaço.”


Fiquei super triste pelo acontecimento, Miguel. Imagino o sentimento de frustação que você está sentindo, mas acho que sob determinado aspecto, isso pode ser muito construtivo para você. Sério! Pense que agora você realmente tem uma responsabilidade enorme em suas mãos. A responsabilidade de tentar novamente, mas agora, com uma certa experiência acumulada.

Tome meu exemplo: Essa é a segunda tentativa que tenho em parar de fumar. A primeira foi há muitos anos atrás, eu não era naquela época uma fumante tão pesada quanto me tornei posteriormente. Naquela primeira vez que tentei parar, sem nenhum medicamento; a seco (risos), fiquei 8 meses sem fumar. Já me considerava uma ex-fumante sem sombra de dúvidas. Meu ego inflava-se quando eu proclamava aos quatro ventos: SOU UMA EX-FUMANTE.

Um belo dia, fui a uma festa, bebi um pouco além da conta e o resultado foi voltar a ser fumante na mesma noite! Nesta noite fumei quase duas carteiras de cigarros! Em uma semana eu era a mesma fumante de antes. Dois maços por dia! Dois maços por dia durante 24 anos! É muita estupidez!

Você pensa que eu desisti de tentar parar por causa disso? Não! Dessa vez eu traçei um plano! O vício não me vencerá! Tenho sempre a mão gomas de mascar. Guardo sempre comigo um adesivo de nicotina, vai saber…um dia me sinto meio louca e vou querer desesperadamente fumar um cigarro! Não! Usarei um adesivo se preciso for! Faço uma caminhada, bebo água! Rezo! Qualquer coisa vale! Mas,

NÃO VOU FUMAR NUNCA MAIS NA MINHA VIDA!

Esse é um trato que fiz comigo mesma. Aconteceu comigo o mesmo que acorreu com você Miguel! Portanto; não sinta-se deprimido, envergonhado. Isso aconteceu com vários ex-fumantes antes de nós. Essa experiência nos ensina que o tabagismo é uma doença, que deve ser tratada com seriedade. Fumantes precisam de um método para deixar de fumar. Fumantes precisam de orientação médica. Exitem medicamentos para deixar de fumar! Milhares de pessoas param de fumar! Nós vamos, juntos, parar de fumar!

Use a experiência a seu favor. Lembre-se do que te levou a fumar naquele dia. Qual foi o gatilho para acender um cigarro? Escreva em uma folha o gatilho que te levou a fraquejar. Mantenha este papel consigo. Acrescente outros gatilhos a sua lista, coloque lá todos os perigos que você corre quando está com vontade de fumar. Assim você aprende a evitar as situações de risco. E começe tudo novamente!

Assim você cria estratégias para deixar de fumar. Você olha para o erro que cometeu e planeja como driblar as situações de risco. Até que chegará um dia que você não mais se lembrará do cigarro. Você vai mudar seus hábitos e na sua vida o cigarro não terá lugar. Aproveite todo o suporte que o blog pode lhe dar e sinta-se entre amigos. Recomeçe sua batalha. Aí então você poderá contar uma estória diferente para todos nós aqui do “Eu vou parar de fumar”, a estória da sua vitória sobre o tabagismo, certo Miguel?!

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Só um cigarrinho, uns traguinhos não vão prejudicar… se você continuar pensando assim, nunca vai parar de fumar! Parar de fumar requer um certo planejamento e persistência, afinal; você vai passar os meses seguintes a parada bastante nervoso, ansioso, etc. Você deve se preparar para isso.

Hoje, olho para um passado recente e vejo profundas mudanças em meus hábitos, tenho a chance de viver com mais qualidade e saúde agora. Parar de fumar está sendo uma das experiências mais ricas que já vivi.

Fico surpresa a cada dia com a possibilidade de contagiar mais e mais pessoas com minha atitude. Com o blog incentivei outros fumantes a deixarem este vício, e fico muito feliz por isso também.

Mas as vezes recebo comentários de pessoas que não param de fumar porque não levam a sério a proposta. Com a primeira fissura já ficam loucos e voltam a fumar, primeiro dando apenas uns traguinhos, depois voltam a fumar normalmente como antes.

Não estou dizendo que parar de fumar é fácil. Ao contrário; digo que é um processo tão delicado, que pode ser quebrado a qualquer momento. O vício é um poderoso agente que faz você querer recuar em seu tratamento antitabagista e fumar novamente.

Parar de fumar começa com uma mudança de hábitos, um duro encontro com você mesmo, onde não existe nenhuma muleta a que  segurar. Não existe possibilidade de regressar um pouco e depois seguir adiante. É 8 ou 80!

Você já assistiu a alguma corrida onde os corredores param quando sentem-se cansados, ou retornam de onde partiram para depois continuarem a correr? Assim acontece com parar de fumar. Você não pode fumar só um cigarrinho…

Fumando um pouco e quebrando suas metas, você estará dizendo a você mesmo que não é capaz de cumprir com sua palavra. Como disse Einstein, “o sucesso é consequência”; em outras palavras;caso você não trabalhe duro ele nunca chegará. Alguns traguinhos hoje, alguns amanhã, e seu organismo entenderá que você fuma novamente, assim suas crises de abstinência serão eternas.

Marcando uma data para deixar de fumar, e depois desse dia não fumando nenhum cigarro, você sentirá crises de abstinência somente uma vez, por digamos no máximo 1 mês e meio. As piores crises acontecem, na verdade, na duas primeiras semanas. Depois desta fase, você consegue controlar com força de vontade, e por que não com medicamentos se necessário for.

Mas controle mesmo, só aparece quando seu organismo está realmente desintoxicado de nicotina. Para isso é preciso não fumar, nem utilizar mais os adesivos, em outras palavras; nada de nicotina no organismo.
Com o passar do tempo, você entende que não precisa desta droga para viver. Você passa a entender que existe uma vida muito saudável sem esse vício perigoso que mata lentamente.

Então, você aprende que não pode fumar nem um cigarrinho, nem dar aquele traguinho, e nenhum “inho” sequer! Devemos lembrar que não nascemos com um cigarro na boca e portanto, não precisamos dele! Agora; sem cigarrinhos nem traguinhos, certo!?

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Os medicamentos tem um papel muito importante no processo de cessação de fumar, pois, minimizam os sintomas da síndrome de abstinência, quando estes representam uma importante dificuldade para o fumante deixar de fumar .
O apoio medicamentoso aumenta as chances da cessação de fumar, o fumante vai paulatinamente lidando com a dependência psicológica e aprende a se “descondicionar” das associações feitas com o cigarro. E a boa notícia é que existem algumas medicações de eficácia comprovada em auxiliar o fumante a deixar de fumar!

Esses medicamentos eficazes são divididos em duas categorias:

1. nicotínicos
2. não-nicotínicos

 

Os medicamentos nicotínicos, também chamados de Terapia de Reposição de Nicotina (TRN), se apresentam nas formas de adesivo e goma de mascar. Correspondem a formas de liberação lenta de nicotina.
Os medicamentos não-nicotínicos são os antidepressivos bupropiona e nortriptilina, e o anti-hipertensivo clonidina. A bupropiona é o medicamento de eleição nesse grupo, pois, segundo estudos científicos, é um medicamento que não apresenta, na grande maioria dos casos, efeitos colaterais importantes. Veja aqui nosso artigo sobre BUP, Zyban e Bupropiona.

A TRN (adesivo e goma de mascar) e a bupropiona são considerados medicamentos de 1ª linha, e são utilizados conjuntamente pela maioria dos médicos.


Gomas de mascar de nicotina para tratamento do tabagismo

Para quem são indicados os medicamentos?

1. fumantes pesados, ou seja, que fumam 20 ou mais cigarros por dia;
2. fumantes que fumam o 1º cigarro até 30 minutos após acordar e fumam no mínimo 10 cigarros por dia;
3. fumantes com escore do teste de Fagerström, igual ou maior do que 5 pontos;
4. fumantes que já tentaram parar de fumar anteriormente mas não obtiveram êxito, devido a sintomas da síndrome de abstinência;
5. não haver contra-indicações clínicas.

Adesivos de nicotina (Niquitin) para tratar o tabagismo

Estudos científicos mostram que a associação entre adesivo e goma de mascar de nicotina, ou entre adesivo de nicotina e bupropiona ou mesmo entre goma de mascar de nicotina e bupropiona, elevam as taxas de sucesso no processo de cessação de fumar.

Apresentações e dosagens:

1. Adesivo de nicotina 21 mg, 14 mg e 7 mg.
2. Goma de mascar de nicotina 2 mg
3. Goma de mascar de 4 mg

Como usar as gomas e os adesivos?

Goma de mascar de nicotina: fumantes de mais de 20 cigarros por dia:

  • semana 1 a 4: 1 tablete de 4 mg a cada 1 a 2 horas
  • semana 5 a 8: 1 tablete de 2 mg a cada 2 a 4 horas
  • semana 9 a 12: 1 tablete de 2 mg a cada 4 a 8 horas

Adesivos de nicotina: fumantes de mais de 10 cigarros por dia:

  • semana 1 a 6: 1 adesivo de 21 mg por dia a cada 24 horas
  • semana 7 a 9: 1 adesivo de 14 mg por dia a cada 24 horas
  • semana 10 a 12: 1 adesivo de 7 mg por dia a cada 24 horas

 

Deve-se parar de fumar ao iniciar o uso de repositores de nicotina (Niquitin/Nicorette)

 

A goma deve ser mastigada com força algumas vezes, até sentir formigamento, ou o sabor da nicotina. Nesse momento, deve-se parar de mastigar e repousar a goma entre a bochecha e a gengiva, até o formigamento passar. Após, voltar a mastigar com força e repetir a operação por 30 minutos, quando deve-se jogar fora a goma de mascar. Durante o uso da goma não se pode beber nenhum líquido, mesmo que seja água. A dose máxima recomendada é de 15 gomas por dia.

Cuidado!

Goma de mascar de nicotina:
Contra-indicações: Incapacidade de mascar, úlcera péptica, período de 15 dias após episódio de infarto agudo do miocárdio.

Precauções: Para gestantes ou mulheres em fase de amamentação, deve-se considerar o uso da goma de mascar,em situações em que o risco de continuar fumando é maior do que o da goma. Nesse caso, é preferívelusar a goma de mascar e não o adesivo de nicotina. Isso se deve ao fato de que a absorção da nicotina a partir da goma de mascar não é contínua, como ocorre com o adesivo. Além disso, a goma libera a
nicotina em picos de intensidade menor do que a absorção da nicotina proveniente das tragadas de
cigarros.

Adesivo de nicotina:
Contra-indicações: Doenças dermatológicas que impeçam a aplicação do adesivo, período de 15 dias após episódio de infarto agudo do miocárdio, gestante e amamentação.

Precauções: A associação de qualquer forma de TRN e bupropiona pode elevar a pressão arterial, portanto, deve-se ter cuidado adicional ao utilizar essa associação em pessoas hipertensas, preferindo-se então a associação entre as duas formas de TRN(Gomo e Adesivo).

A prescrição de qualquer medicação para cessação do tabagismo deve ser feita após uma avaliação clínica rigorosa na busca de possíveis contra-indicações. O uso da bupropiona deve sempre ser feito sob supervisão médica.


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