Usar uma marca de cigarros com baixos teores não garante menores níveis de nicotina e alcatrão aos usuários. Essas informações são encontradas nos documentos dos próprios fabricantes de cigarros. Pressões diferentes de tragada acabam igualando nível de substâncias.

A problema para os fumantes está na observação de dois aspectos do comportamento dos tabagistas. Fumantes regulares, ao usar marcas com menos nicotina ou “light”, mudam seu padrão de tragadas, ou seja, puxando o ar mais forte e mais frequentemente. A profundidade da tragada e sua freqüência mudam para manter o mesmo nível de nicotina no sangue ao que o usuário está habituado.

A descoberta, realizada pelas próprias companhias de cigarros, traz implicações éticas importantes. Ao mudar para o que acredita ser uma marca de cigarro com baixos teores, um fumante pode adiar sua decisão de parar de fumar e na verdade continuar a receber a mesma carga de produtos químicos.

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Cigarro com baixo teor de nicotina atrapalha quem quer parar de fumar

Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, constataram que os fumantes que mudam para cigarros de baixos teores têm mais dificuldade em largar o vicio.

A conclusão veio depois da análise de mais de 30 mil entrevistas realizadas em uma pesquisa do Instituto Nacional de Saúde sobre as tentativas e sucesso dos que tentam parar de fumar.

Os fumantes que mudam para marcas de baixos teores são aqueles que haviam tentado mais vezes largar o cigarro no ano anterior à pesquisa, cerca de 60%. Porém o índice de sucesso entre os que trocam é 46% menor do que os que tentam enquanto usam a sua marca preferida habitual.

Entre as razões para essa efeito está o fato de que os fumantes, quando optam pelos chamados cigarros light, costumam inalar mais vezes a fumaça e mais profundamente.

A utilização de rótulos classificando os cigarros como light ou baixos teores preocupa as autoridades de saúde em todo o mundo, pois induzem a uma falsa sensação de menor risco a partir de sua utilização.

Jovens, a esperança das empresas de tabaco

Os jovens ainda são o alvo preferencial da estratégia de propaganda da indústria do tabaco para manter a demanda futura.

Outro trabalho científico traz um diagnóstico da percepção dos jovens americanos sobre os riscos envolvidos no consumo de cigarros do tipo tradicional e das ditas opções light.

Mais de duzentos e cinqüenta adolescentes com idade média de 14 anos preencheram questionários sobre seus conhecimentos e crenças sobre os cigarros comuns e de baixos teores. O resultado mostrou que a armadilha de marketing está funcionando.

Resultado das pesquisas com jovens sobre tabagismo

Com relação aos riscos de saúde, os adolescentes acreditam que as chances de sofrer de câncer de pulmão, doenças vasculares, problemas respiratórios e mesmo morrer de ataque cardíaco são menores se consumirem as versões light de cigarro.

Infelizmente, os jovens também acreditam que os cigarros light têm menor potencial de vício e que até mesmo poderiam ser consumidos por toda a vida.

Essas crenças levam os adolescentes a acreditarem que ao optar pelos cigarros com baixos teores de alcatrão e nicotina poderão se livrar do vício facilmente.

Tudo isso mostra que a pressão da sociedade contra o tabagismo dá origem a uma resposta da indústria multimilionária do tabaco no mundo e que devemos desenvolver estratégias de divulgação e orientação voltadas para os jovens, prevenindo os problemas gerados pelo consumo do tabaco.

Luis Fernando Correia é médico e apresentador do “Saúde em Foco”, da CBN - Materia encontrada no G1 - Cigarro com baixo teor de nicotina atrapalha o esforço para parar de fumar

Cigarro com ‘baixos teores’ pode ter nível elevado de nicotina

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