Conversando sobre #parardefumar com a @Adriana_Torres alguns dias atrás em minha conta pessoal do Twitter, ela foi logo dizendo que já estava “pensando” em parar. Naquele momento, senti que o Twitter ficou pequeno demais para nossa discussão e resolvi utilizar um pouco mais que 140 caracteres para respondê-la… ;)

Eu começei a fumar aos 13 anos. Achava aquilo o máximo! O cigarro me transportava para um mundo de glamour e auto-confiança e como ele na boca eu me sentia uma mulher adulta, mesmo ainda sendo uma pirralha!

Assim passei os primeiros 5 anos sem sequer perceber que enquanto meu organismo estava se preparando para a vida adulta eu o agredia sem piedade com uma média de 15 a 20 cigarros por dia.

A consciência só viria mais tarde…quando temos 18, 20 anos a vida parece interminável e a maior parte do tempo pensamos que somos “quase” imortais e que nada nos prejudica. E segui fumando…

Lá pelos 25 anos eu começei a pensar que aquele cigarro todo “poderia” estar me prejudicando. Digo isso para frizar a cegueira dos fumantes. Mesmo consciente que cigarro mata, o fumante sempre acha que mata o vizinho, o parente, mas nunca ele próprio.

O fumante se imagina dentro de uma bolha saudável, mesmo fedendo a cigarro ou com dentes, mãos e pele amareladas; mesmo sem conseguir subir um lance de escadas sem quase colocar o coração pela boca com menos de 30 anos! O fumante se imagina sempre LIVRE DE RISCOS.

Não me lembro exatamente com que idade começei a fazer tentativas para parar de fumar, mas foi antes dos 30. Refletindo sobre todas essas coisas eu cheguei a conclusão que eu gostava de fumar, porque era VICIADA; mas precisava parar pela minha saúde e bem-estar.

Parava de fumar a cada 5 minutos. Eu achava que bastava querer e a vontade de fumar se dissiparia, mas não foi bem assim que as coisas aconteceram. Eu fazia um esforço monumental para ficar 2 horas sem cigarros, daí dizia - Ah! Só um traguinho para aliviar e NUNCA mais eu fumo! Doce ilusão…

Tentei essas paradas relapsas umas milhares de vezes. Por anos a fio, eu apenas prolonguei a minha fútil auto-destruição, ou seja; fumei…fumei…fumei… e mais uns 10 anos se passaram queimando dinheiro e saúde.

Não me lembro exatamente com que idade passei uma temporada de 8 meses abstêmia dos cigarros, e já me sentindo a “bambambam” fui dar só uns traguinhos e daí voltei a fumar como nunca, chegando a vergonhosa marca de 2 maços de cigarro por dia. :(

Quando completei 37 anos a ficha caiu! Finalmente, né!? Encontrei pelo caminho várias pessoas parando de fumar e aquela “onda” me alcançou de cheio. Da mesma maneira que começei a fumar influenciada pelas pessoas ao redor, eu também deixei de fumar numa onda de “renúncia” que vejo muita gente fazer em relação ao cigarro hoje em dia.

Eu já contava com a experiência das milhares de tentativas onde eu fraquejei, mas faltava algo mais para acontecer…

Eu percebi que era completamente ignorante em relação a minha dependência do cigarro e não me considerava “dependente”. Dependência era uma palavra forte demais…

Dependente soava distante de minha condição de tabagista naquele momento. Eu pensava que tinha um “hábito” e poderia simplesmente mudar este “hábito”, mudar meu comportamento. Mas só isso não era suficiente!

Foi então que começei uma investigação na internet sobre tabagismo. Mergulhei de cabeça em pesquisas; li a opinão de muitos médicos, e finalmente entendi que o tratamento do tabagismo requer ajuda especializada, um método de ação firme e consistente, e algumas vezes; o auxílio de medicamentos e MUITA DETERMINAÇÃO! Sem isso…esquece!

Eu aprendi nas fatídicas vezes que tentei parar de fumar anteriormente que eu precisava de medicamentos, por exemplo. Se eu não usasse Bupropiona e Niquitin, não teria conseguido segurar as fissuras dos primeiros dias.

Algumas pessoas param de fumar da noite para o dia, sem ajuda de medicamentos e sem maiores desconfortos, mas este não era o meu caso, definitivamente! Eu não conseguia vencer as crises de abstinência quando tentava parar de fumar por isso precisava de remédios. Então, procurei um médico, levei o tratamento a sério e hoje estou há quase 1 ano e meio sem fumar. (SEM RETORNO! :D )

A consciência vem com o tempo e com o desgaste com o qual “presenteamos” nosso organismo durante os anos de tabagismo. Para outros vem em forma de doenças graves, mas pare e pense. Você pode pensar que gosta de fumar, mas será que não está passando da hora de deixar o tabagismo, de verdade?

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