Neste mês de Outubro, o Mês da Criança, eu gostaria de discutir aqui no blog um sério problema de saúde pública - a exposição de crianças ao tabagismo.

O problema é tão grave que afeta as crianças que ainda nem nasceram, quando ainda estão no ventre de suas mães. As gestantes muitas vezes não abandonam o cigarro no período de gestação ou sofrem com o tabagismo passivo proveniente do cigarro de outros membros da família ou do seu local de trabalho.

Crianças e adolescentes são principais alvos da indústria do cigarro

A industria do cigarro abre a porta aos jovens

Crianças e adolescentes são bastante vulneráveis a propaganda e aos produtos da indústria do tabaco. Sabe-se que mais de 90% das pessoas adquirem esse vício muito antes dos 19 anos. Por isso; a criança e o adolescente representam a fatia mais atraente do mercado para a indústria do tabaco e, por isso, são os principais objetos de estudo destas indústrias, há mais de 30 anos.

Nos arquivos provenientes de documentos internos de grandes empresas do tabaco, que vieram a público durante uma ação judicial movida contra elas por estados norte-americanos, crianças e jovens são descritos como “reservas de reabastecimento” e um dos principais alvos estratégicos, devendo se tornar dependentes do cigarro ainda cedo. Além disso, os documentos comprovam que, apesar de a indústria do tabaco se posicionar publicamente de uma forma, suas verdadeiras intenções são completamente opostas. Veja alguns exemplos:

“Eles representam o negócio de cigarros amanhã. À medida que o grupo etário de 14 a 24 anos amadurece, ele se tornará a parte chave do volume total de cigarros, no mínimo pelos próximos 25 anos.” J. W. Hind, R.J. Reynolds Tobacco, internal memorandum, 23 de Janeiro 1975.

“Atingir o jovem pode ser mais eficiente mesmo que o custo para atingí-los seja maior, porque eles estão desejando experimentar, eles têm mais influência sobre os outros da sua idade do que eles terão mais tarde, e porque eles são muito mais leais à sua primeira marca.” Escrito por um executivo da Philip Morris em 1957.

“Para o principiante, fumar um cigarro é um ato simbólico. Eu não sou mais o filhinho da mamãe, eu sou durão, sou um aventureiro, não sou quadrado… À medida que o simbolismo psicológico perde a força, o efeito farmacológico assume o comando para manter o hábito…” vice-presidente da Philip Morris, em 1969.

Tabagismo - Doença Pediátrica

Tabagismo, doença pediátrica

O tabagismo passou a fazer parte do rol de doenças pediátricas deixando de ser uma doença só de adultos. Crianças não sofrem apenas com o tabagismo passivo, mas começam a consumir cigarros cada vez mais cedo.

A exposição ao tabaco em crianças é considerada um fator de risco dos mais importantes para o desenvolvimento de doenças respiratórias infantis como a asma.

Certamente, há crianças com um nível maior de exposição, como em casas onde mais pessoas fumam ou com pessoas que fumam no quarto da criança.

Gravidez e Tabagismo

Gravidez e Tabagismo não combinam

Os malefícios do tabaco atingem não apenas a gestante, mas também o feto, o qual, ainda no útero, se torna um verdadeiro fumante ativo.

Um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular. Imagine a extensão dos danos causados ao bebê, com o uso regular de cigarros pela gestante!

Quando a mãe fuma durante a amamentação, a nicotina passa pelo leite e é absorvida pela criança.

O fumo na gravidez é responsável por casos de bebês com baixo peso ao nascer, partos prematuros, abortos espontâneos, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia (sangramento).

Estudos afirmam que o fumo na gestação eleva em 20% o risco de assistência em UTI neonatal, e que o tempo de permanência e os gastos com estas crianças na UTI neonatal são maiores do que aqueles cujas mães não fumaram durante a gravidez.

A manutenção do hábito de fumar durante o primeiro ano de vida da criança agrava os prejuízos respiratórios, neurológicos e psico-motores que se iniciaram ainda intra-útero avolumando os gastos com assistência médica dos filhos de fumantes.

Motivação para a gestante deixar o cigarro

A consciência da gravidez já exerce uma motivação na gestante para considerar a cessação do hábito de fumar. Além disso, as visitas pré-natais proporcionam várias oportunidades de reforço das intervenções para interrupção do fumo, o que eleva a possibilidade de êxito do abandono do tabagismo.

As taxas de sucesso dos programas de intervenção para o abandono do fumo são cerca de três vezes maiores entre as gestantes quando comparadas com outros grupos de fumantes.

Na verdade, toda mulher em idade fértil e que esteja considerando a hipótese de engravidar, já deveria ser abordada pelo seu ginecologista, no sentido da prevenção dos efeitos do tabagismo durante a gestação.

Essas advertências também devem ser estendidas às gestantes fumantes passivas e aos seus maridos, já que ter um cônjuge fumante é fator de insucesso para a cessação do hábito de fumar.

Qual é sua opinião sobre o assunto? Você conhece crianças expostas ao cigarro? Conhece mulheres que estão grávidas que continuam fumando durante a gravidez? O que você pode fazer para alertar os pais dessas crianças a respeito do problema? Qual seria seu recado a esses pais?

Fontes:

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