Recebi em meu e-mail este maravilhoso depoimento que veio lá de Portugal e quero agradecer ao Luís Dantas, membro de nossa comunidade que além de contribuir com sua participação aqui no site teve essa maravilhosa ideia de fazer um post para dividir conosco a experiência dele. Parabéns pelos 180 dias limpos, Luís!

Fica aberto o caminho para qualquer membro que desejar enviar artigos para serem publicados no site. Para submeter artigos favor enviar e-mail para glaucia@glauciacarvalho.com.br

Quero agradecer a todos que participam de nossa comunidade ajudando tantas pessoas a deixarem o vício do cigarro. Força a todos! A luta continua! Segue o texto enviado pelo Luis. Muito obrigado e fico aguardando por mais textos para publicação! ;)

Quero deixar de fumar - Meus 180 dias

“Todos nós (fumantes) dizemos isto quase diariamente, mas por quê?

O porquê dessa afirmação deve-se, essencialmente, a um ou mais motivos que resultam de uma sensação ou de uma constatação pessoal, tais como: saúde debilitada, baixo orçamento familiar, discriminação social, mal estar generalizado ou simplesmente porque se acha que fumar é um ato irresponsável e repreensível.

É importante ter um ou mais motivos, pois são esses que nos levam a uma conscientização geralmente lenta, mas determinada. Por isso, na hora de querer largar o vício, qualquer motivo serve, desde que a convicção dessa ação seja suficientemente forte para nos lançar num longo e difícil caminho contra o tabagismo.

No meu caso, dois motivos foram suficientes para me lançar no período de conscientização.

O primeiro foi evitar que as minhas filhas cometessem o mesmo erro. Com uma filha a entrar na idade da adolescência e outra na pré-adolescência, eu precisava mostrar para elas o meu arrependimento pela inconsciência de um ato, iniciado na mesma idade delas e que durante 27 anos não fui capaz de parar, mesmo sabendo que estava a prejudicar a minha saúde, o bem-estar da minha família e de todos aqueles que me rodeavam.

O outro motivo foi a poupança ou melhor dizendo, o desperdício de dinheiro em tabaco!

Durante um longo período da vida um fumante abdica de muita coisa por falta de dinheiro e quando se dá conta, o valor em falta foi gasto em cigarros! Faça uma conta simples: multiplique o gasto diário em tabaco por 30 (1 mês) X 12 (1 ano) X (o nº de anos como fumante) e surpreenda-se. Se fuma há mais de 30 anos, provavelmente, o valor daria para comprar uma casa nova ou, no mínimo, um bom automóvel (0 Km)!

Face à análise desses motivos, tomei consciência da dificuldade, preparei a minha estratégia e decidi o meu dia “D”.

Quando chegou a data, apesar de ler, escutar e perceber quase tudo sobre o assunto, o medo estava presente. Eu julgava estar prestes a mergulhar no abismo, mas a vontade de levar por diante o meu objetivo era tal, que qualquer sentimento negativo era superável.

Sabia que o arranque seria difícil, por isso, empreguei todas as minhas forças nesses primeiros dias, apoiei-me em tudo que era possível, não desprezando nada à minha volta. Tudo servia de distração ou entretenimento e se o computador estivesse por perto, não perdia a oportunidade de desabafar com alguém e de “carregar as baterias” para a próxima fissura.

A motivação e a entrega eram de tal forma intensas que a canalização das energias só tinham uma direção e um objetivo definido: transpor, a qualquer custo, a dificuldade do momento. Graças a essa obsessão, os primeiros dias foram bem mais fáceis do que eu julgava. Mas o pior ainda estava por vir!

Eu tinha estudado bem a lição “… temos que enfrentar os desafios com otimismo, inteligência e autoestima”. Também já tinha colhido outras opiniões e assistido, “nos bastidores”, à história contada na terceira pessoa. Mas agora era diferente não era imaginação, era eu, na primeira pessoa, vivenciando o momento e tentando interiorizar que era capaz de vencer aquelas dificuldades. Senti-me perdido, no meio do nada, sem saber como preencher tanto vazio dentro de mim. Faltavam-me as forças e o discernimento do momento, não permitia gerir tamanha revolta interior!

Mas foi assim, no meio de tanta incerteza que, aleatoriamente, surgia a solução para ultrapassar um momento de fissura. Não me perguntem como, pois não saberia responder. Acho que simplesmente acreditei que haveria de ultrapassar isso.

Eu não tinha uma solução padronizada, tinha a certeza de que precisava estar rodeado de muitas ferramentas de apoio e que na hora haveria de descobrir qual a mais adequada ao momento, nem que para isso, tivesse de usar o método baseado na tentativa erro. Ou seja, tentava de tudo (água gelada, chicletes, fruta, exercício de respiração, sair, andar, etc.), alguma coisa haveria de resultar. Quanto mais não fosse, ocupava os ditos “5 minutos” em tentativas!

Emocionalmente, tudo poderia acontecer: os sintomas de irritabilidade, desorientação, nervosismo, desconcentração, impaciência ou outros derivados da abstinência ou dos hábitos de fumar poderiam aparecer mais ou menos intensos, individuais ou conjugados e, por esse motivo, eu não tinha um padrão de resolução.

Felizmente, a frequência dos sintomas foi diminuindo gradualmente até os 20 dias. Entretanto, tive alguns momentos preocupantes entre os 30 e os 40 dias, onde sonhei algumas vezes com o ato de fumar. Depois disso senti novas dificuldades, menos preocupantes, perto dos 80 e 160 dias.

Hoje, passados 180 dias, nenhum desses sintomas me perturba, mas a vontade não passou completamente. Sutilmente, ela vai e vem várias vezes por semana, parece inofensiva mas é do interior dessa “máscara inocente” que pode surgir o perigo!

Por isso, não me canso de dizer que tenho a consciência plena de que “quem brinca com o fogo queima-se” e, na luta contra o tabagismo, independentemente do tempo sem cigarro,

EX-FUMANTE QUE BRINCA COM O CIGARRO, TEM RECAÍDA!

Sejam lutadores, inteligentes e cautelosos.

Gozem dos benefícios de uma vida sem tabaco e em liberdade … SEJAM FELIZES.

Dedicado a toda a comunidade do “Eu Vou Parar de Fumar”. Sem vocês, dificilmente teria atingido a meta dos 6 meses. OBRIGADO!”

Luis Dantas é membro do site “Eu vou Parar de Fumar”

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