Por Solange Simão, membro da comunidade - Tenho navegado pelo blog e lido os depoimentos dos membros, as dificuldades de cada um e as preocupações com os sintomas que a abstinência do cigarro pode causar.

Todos tem razão em se preocupar, pois nem sempre conseguimos enfrentar a luta contra o vício. Tornamo-nos fracos diante do poder desse veneno.

E é para todos, iniciantes ou não, que tomo a liberdade de relatar aqui alguns dados sobre o fantasma da fissura, que nos maltrata e muitas vezes faz desmoronarem sobre nós todos os dias de luta, de resistência e de esforço.

Parar de fumar é um ato de coragem. É preciso ser forte. Antes de tudo, É PRECISO SE AMAR.

A indústria do cigarro convida a entrar e fecha a porta

E não é fácil, não. Se fosse, não existiriam tantos livros, matérias, programas de governo, inúmeros grupos de discussão e, aqui mesmo no blog, tantas mensagens, artigos, pedidos de ajuda, palavras de incentivo.

Por aí, podemos concluir que quem conseguiu parar se apegou a tudo isto. E não basta se apegar hoje apenas, ou por uma semana ou um mês e depois esquecer. Esta luta é diária e por tempo indefinido. Cada dia vencemos uma batalha. Termos vencido a de hoje não quer dizer que já somos vitoriosos. Haverá a luta de amanhã, de depois, de daqui a 3 meses, um ano.

No começo eu me sentia assim:

  • Só pensava no cigarro
  • Minha boca ficava cheia d’água
  • Minha concentração foi embora
  • Minha memória falhava no trabalho – eu esquecia o que estava fazendo
  • Queria chorar sem uma razão específica
  • Tudo me irritava e eu explodia por motivos insignificantes
  • Era agressiva nas conversas com os outros

Fissura- o fantasma que persegue os fumantes

Isto tudo pode variar muito de pessoa para pessoa, é claro. Mas a abstinência do cigarro traz inúmeros desconfortos que, aos poucos, vão sendo dissipados e substituídos por sensações muito agradáveis. Porém isto não é imediato. É preciso paciência, muita paciência. Não desistam. Tentem sempre. Se não der certo na primeira, dará na segunda ou na terceira. Mas é preciso saber que deixar de fumar não pode resumir-se em tentativas. Num determinado momento, a atitude tem que se transformar em fato.

Não é fácil, repito. Mas não é impossível. Todos conseguimos. Alguns com mais facilidade que outros, é claro. Uns utilizando medicamentos, outros apenas a força de vontade. Seja de que forma for, é preciso tentar. É PRECISO SE AMAR.

A fissura é sim um fantasma, pois já nos amedronta antes de tomarmos a iniciativa de parar. Eu também pensava: “e depois do café da manhã, o que eu vou fazer se não puder fumar? e depois de comer um doce? e no bate papo com os amigos? e quando eu beber, como vou ficar sem fumar? e depois do cafezinho da tarde? e antes de dormir?”

Enfim, tudo é motivo que nós mesmos buscamos para não parar. Mas agora, há quase dois anos sem fumar, posso dizer: “tomei o café da manhã, não fumei depois e estou viva; comi doces e não fumei depois…e continuei viva; saí com amigos, tomei drinques, tomei o cafezinho da tarde e tudo o mais sem fumar…e continuo viva, com uma ressalva, mais saudável do que antes.

Houveram momentos sim, em que achei que ía enlouquecer. Pensava: “Meu Deus, não vou conseguir. Quanto eu queria dar uma tragada! Nossa, que vontade louca de fumar só um.” Aí é que nos enganamos. Se fumarmos “um”, ele não ficará só. Depois dele virá o segundo, o terceiro, o maço. E a luta tem que começar toda outra vez.

E então vem a raiva, a decepção consigo mesmo. Todo o empenho jogado fora, todo o autocontrole desperdiçado, toda a força de vontade foi para o lixo em forma de “bituca”. Que vergonha a gente sente de si mesmo! E pensa: “porque os outros conseguem e eu sou tão fraco?”

Ninguém é mais fraco ou mais forte. O que acontece é que cada um encara a situação de uma forma. Alguns tentam parar pensando que basta ter autocontrole e tudo sairá a contento. Não basta controle apenas. É preciso consciência (escrevi um artigo para o blog sobre este assunto). Quando decidirmos parar devemos estar muito conscientes de tudo o que vamos enfrentar: muita vontade de fumar, inconstância de humor, agressividade, fome, boca seca ou cheia d’água, desconcentração, esquecimento, pensamento fixo no cigarro, insônia, sono agitado, etc.

Tudo isto e outros sintomas que posso não ter citado, faz parte do processo. Previnam-se, mas não desistam. Todo esse circo de horrores que a abstinência causa, tenham certeza, via desmoronar. E não demora muito.

Vontade? Às vezes ainda sinto. Mas ela é controlável, esquecida imediatamente e superada. Não porque já estou há dois anos sem fumar, pois isto não me serve de garantia. Minha garantia é minha eterna e constante “vigília”. Quando pensava no cigarro, imediatamente, substituía o pensamento por: me amo, não posso, não quero, não devo. Não esqueçam: É PRECISO SE AMAR.

Várias vezes citei, aqui no blog, uma linha de pensamento. Tentem praticá-la. “Quando aquela vontade incontrolável vier, pense: Se eu fumar agora, não estarei livre de sentir vontade novamente, ou seja, ela voltará daqui a uma hora. Se eu não fumar, terei que controlar a vontade por alguns minutos e ela voltará daqui a uma hora. Conclusão: fumando ou não, a vontade vem e vai. A nossa atitude diante dessa fissura é que prevalecerá no final e criará o hábito. Fumando a cada vez que sentimos vontade, habituamos nossa consciência a fumar. Não fumando conseguiremos criar o hábito de não mais fumar.” Acreditem, nós criamos nossos hábitos.

Desejo a todos os que estão empenhados nesta luta, que a força de vontade seja mais poderosa, que a consciência seja infalível, que a vitória sobre o tabagismo seja certa. FELIZ 2011 a todos os amigos e membros do blog e que o amor próprio seja o primeiro passo.

Por Solange Simão, membro da comunidade “Eu vou Parar de Fumar”

Artigos que escrevi para o blog:

A COR DO VÍCIO

EU O DECLARO EX-FUMANTE

PARAR DE FUMAR – CONSCIÊNCIA OU EMPOLGAÇÃO?

RECOMEÇO

A BOMBA RELÓGIO

QUANDO “DESAPRENDER” E O MELHOR APRENDIZADO

INDEPENDÊNCIA OU MORTE

O Cigarro é mau