Ausentei-me do blog por uns meses, respondendo apenas a mensagens que foram enviadas diretamente prá mim, o que não quer dizer que deixei de acompanhar a luta de muitos aqui: novos participantes e outros, já amigos de algum tempo. Noto, também, a ausência de alguns, talvez por terem desistido da luta, infelizmente.

Essa luta não é fácil, mas podemos vencê-la. Vencer o tabagismo exige muita coragem, força de vontade, empenho, dedicação, planejamento, consciência. Apesar disto, se cada um viver um momento de cada vez, combater uma fissura de cada vez, estará edificando, no presente, seu futuro como ex-fumante.

É inútil pensar no que a fissura causará e sofrer antecipadamente por isto. Deixe prá viver esse momento quando ele chegar, sempre pensando: “se eu não fumar, a vontade passará em alguns minutos e voltará; se eu fumar, satisfaço uma vontade momentânea, mas, da mesma forma, ela voltará.” É apenas uma estratégia, mas faz todo o sentido. Fumando ou não fumando, a vontade vem e vai:

Fumando, você não precisa de resistência emocional e perde resistência física.

Não fumando, você precisa de resistência emocional, mas conquista resistência física.

Vale tentar resistir emocionalmente, tenham certeza, e ganhar a cada cigarro a menos um pulmão mais livre, um coração menos judiado. Falo por experiência própria e tento transmiti-la àqueles que estão na luta diária contra o tabagismo ou pensando em inciá-la.

Infarto provocado pelo tabagismo

Sei que muitos dirão que a força não é apenas emocional, pois a falta do cigarro causa transtornos físicos. Sei bem disto e entendo perfeitamente. Eu, por exemplo, tinha excesso de salivação, falta de concentração, tristeza, irritabilidade, fome. Só pensava no cigarro.

Mas tudo é treino. Há, aqui no blog mesmo, diversas dicas prá driblar esses sintomas. Tome água, coma frutas, faça exercícios respiratórios. Quando estiver enlouquecendo de vontade, vá caminhar, nem que seja apenas uma volta no quarteirão, respire fundo. Chore, se quiser. Distraia-se com algum jogo no computador ou celular, faça palavras cruzadas, ligue prá alguém. Em alguns minutos, a vontade terá ido embora. Acredite!!!

Quando afirmei, no início, que a luta não é fácil mas podemos vencê-la, não foi simplesmente como incentivo a todos. Foi com o intuito de “forçar mesmo” cada um que estiver lendo este artigo a pensar na seriedade do que vou escrever:

“Podemos vencer a luta contra o tabagismo enquanto somos saudáveis, pois depende somente de nós. Mas não podemos mais vencê-lo quando ele expõe suas garras e faz nosso organismo mostrar os estragos já instalados, irreversíveis, os quais não temos mais a oportunidade de combater.”

Fumei durante 37 anos da minha vida, uma média de um maço por dia. Na maioria das vezes, sentindo muito prazer, pois eu gostava de fumar. Não tive resistência emocional durante aqueles anos. Parei de fumar em 17 de Janeiro de 2009 e comecei a frequentar o blog. Apesar de 2 anos e meio resistindo emocionalmente, com ajuda de muitos amigos daqui, lendo exemplos, escrevendo artigos, tentando ajudar, ainda assim, não nego,esporadicamente vem a lembrança do gesto de levar o cigarro aos lábios, tragar e soltar a fumaça. Não chega a ser saudade, pois apesar de todo o prazer que sempre senti em fumar, o cigarro me cobrou caro por isto.

Já havia me mostrado a sua face quando, nos meus 19 anos, arrancou da minha convivência, meu pai.

Mas não bastou. Não para o cigarro, porque prá ele nunca basta. Ele continua fazendo estragos seguidamente, afinal, quem é ele? Um objeto feito de papel recheado com várias substâncias venenosas e tóxicas.

Digo não bastou prá mim, o que é um absurdo. Sou racional, um ser humano com o conhecimento exato do que me faz bem e/ou mal. E ainda assim, continuei fumando, mesmo após aquela dura prova nos meus 19 anos de idade. E continuei por mais 35 anos.

Hoje eu sei que se não tivesse parado há 2 anos e meio, provavelmente não estaria aqui escrevendo este artigo.

Em Abril passado, após sentir durante um mês e meio uma dor intensa no peito, que se irradiava para os dois braços e mãos, fui surpreendida por um infarto.

Não fui relapsa durante esse um mês e meio. Procurei um cardiologista, fiz todos os exames, que não detectaram anormalidade alguma. Não sei ao certo se foi falha laboratorial ou médica, ou nenhuma das duas. Mas eu falhei! Disso eu tenho certeza. Falhei comigo mesma. Sempre fui extremamente ansiosa, agitada, imediatista. Queria tudo resolvido ali, na hora.

Meu pobre coração parecia ter um elevador dentro dele que, em qualquer situação mais tensa, subia e descia incessantemente. Nessas horas eu fumava e me acalmava. Como eu não tinha o controle sobre as minhas emoções, me apegava ao cigarro e atribuía a ele esse feito. Precisava dele prá me sentir calma e menos ansiosa.

E ele precisou de mim prá mostrar do que é capaz. Fez-me sentir que eu estava partindo. Percebi que tudo pode terminar num repentino segundo. Mostrou-me o que fez com o meu coração, o órgão vital de todos nós. Esse símbolo do amor, da paixão, da vida, está machucado pelas minhas fraquezas.

O primeiro comentário dos médicos, entre eles, ao passar o plantão um para o outro, é: “Fulana de Tal, tantos anos de idade, ex-tabagista…” Carrego isto como um rótulo identificador. Todos nós que já fumamos carregaremos.

Desejo, de todo o meu coração, mesmo machucado, que nenhum de vocês sinta a consequência do tabagismo no organismo. Que reajam, que lutem, que consigam parar antes que isto aconteça. É mais do que preciso.

Lutem, por mais difícil que seja e VENÇAM. Parar de fumar é uma luta possível de ser vencida porque depende apenas de nós. Mas quando o cigarro decide parar a vida, mais nada pode ser feito.

Por Solange Simão, membro da comunidade “Eu vou Parar de Fumar”

Artigos que escreveu para o blog:

A COR DO VÍCIO

EU O DECLARO EX-FUMANTE

PARAR DE FUMAR – CONSCIÊNCIA OU EMPOLGAÇÃO?

RECOMEÇO

A BOMBA RELÓGIO

QUANDO “DESAPRENDER” E O MELHOR APRENDIZADO

INDEPENDÊNCIA OU MORTE

FISSURA - O FANTASMA QUE NOS ENFRAQUECE

REMÉDIOS PARA TRATAR O TAGAISMO, FIQUE ATENTO!

TABAGISMO E PRÁTICA ESPORTIVA

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