“(DPOC) é uma doença crônica, progressiva e irreversível que acomete os pulmões e tem como principais características a destruição de muitos alvéolos e o comprometimento dos restantes. Os principais sintomas dos pacientes são a falta de ar, a fadiga muscular, insuficiência respiratória entre outros.
Os principais fatores desencadeadores da DPOC, enfisema e bronquite crônica estão relacionados principalmente ao tabagismo, seguido de exposição passiva ao fumo (pessoa que convive com o fumante), exposição à poeira por vários anos, poluição.” (fonte Wikipedia)
Tenho uma amiga e um cunhado sofrendo de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). Ambos ex-fumantes. Meu cunhado fumou por mais de 30 anos e parou há mais de 20. Minha amiga parou há 3 anos.
Mas nada os livrou dessa doença crônica, que chegou gradativa e silenciosamente. O único ruído que fez foi o “chiado” no peito quando respiravam, o que qualquer fumante pode apresentar uma vez ou outra.
Depois veio o cansaço, a difuldade de respirar. Dizem que o ar só chega até a metade do peito. Não conseguem encher os pulmões.
Senti dificuldade para respirar e cansaço nos meus últimos meses como fumante. Não chegou a tanto mas o incômodo foi grande. Fiquei assustada, pois já presenciei pessoas próximas com crises de asma, bronquite. Não conseguir respirar deve ser aterrorizante.
Lei Antifumo
Pela TV, vi, uma noite dessas, uma fumante revoltada com a lei anti-fumo em seu Estado.
Dizia eloquente: “é preciso rever o políticamente correto; onde está o nosso direito? quero ter o direito de fumar! por que tenho que respeitar os não fumantes? onde está o respeito pelos fumantes?”
Rever a lei? Respeito? Direito?
Também fui fumante. E por muito tempo: 37 anos. Mas nunca me vi no direito de invadir o espaço dos não ou ex-fumantes. Nunca impus ou desejei que me respeitassem, pois eu os estava prejudicando; não eles a mim. Eu estava causando um mal. Eu estava poluindo com fumaça nociva o ar que eles respiram.
Para tudo na vida é preciso bom senso, limites, ponderação. E isto deve partir daqueles que estão praticando o ato “irregular”.
Não pode ser considerado normal, para uma pessoa em sã consciência, que todos sejam obrigados a fumar.
Da mesma forma, podemos não querer beber. Se a pessoa ao lado quer, ela pode fazê-lo e não estará me obrigando a ingerir sua bebida.
Mas com o fumo é diferente e, infelizmente, muitos fumantes não querem perceber que impregnando o ar com fumaça tóxica obrigam todos ao redor a também fumarem. Como se sentiriam se tivessem que beber por imposição de alguém?
Ontem, lendo um jornal pela Web, acabei entrando num debate sobre a constitucionalidade da lei anti-fumo em São Paulo. Não pude ficar omissa diante de tamanho disparate. (Excluí os nomes dos autores dos textos, pois não tenho o direito de expô-los).
Quando apresentei meu ponto de vista sobre a lei, que é favorável a ela, recebi a seguinte resposta: “Muito bom, agora acho que também deveria haver proibição para a venda de bebidas alcoólicas em bares e restaurantes. Acompanhando o raciocínio, seria ótimo não ter pessoas que bebem nesses lugares. Depois, é só tirar os conjuntos que tocam em bares, favorecendo assim aqueles que querem silêncio e, em seguida, proibir aqueles que passeiam com cachorros em nossas calçadas, sujando elas… Acorda pessoal, essa bobeira tem de acabar, existe coisa muito mais importante acontecendo…”
Solange: Quem bebe não está prejudicando quem está ao lado. A não ser que seja irresponsável e ainda dirija e dê carona. Quem não quer ouvir música e foi a um lugar onde há um conjunto tocando, sinceramente, não está bem da cabeça. E quem tem cachorro e não limpa a sujeira dele na rua, não tem educação. Mas nada disso afeta os pulmões dos outros. Não vamos misturar os assuntos. O que se está discutindo aqui é “tabagismo”.
Não pretendo me tornar antipática com quem fuma. Ao contrário, me preocupo como se preocuparam comigo as pessoas que me querem bem quando eu fumava.
Não estou aqui criando preconceitos contra os fumantes, pois, como disse, permaneci nesse grupo por longos anos.
Ninguém está proibindo que continuem fumando. Afinal, é uma decisão pessoal.
Mas, para o bem de todos, sem excessão, seria muito bom se essa indústria assassina falisse.
Sei que haverão sempre os “a favor dela”, com a alegação de que representa faturamento, emprego, etc, etc, esquecendo-se de que, em consequência, muito se perde em saúde e em vidas que poderiam estar enriquecendo a mão de obra efetiva de cada país.
Hoje a luta é mais harmônica, felizmente. Há fumantes que, apesar de o serem, conseguem discernir os limites para a prática dos seus direitos. Por sorte, restam alguns que se salvam em meio à incoerência.
Salvemo-nos também, despertando a cada dia para uma vida sem tabaco.
Vamos todos morrer um dia, é certo. Mas não sejamos nós nossos próprios algozes.
*** Solange Simão - membro da comunidade “Eu vou parar de fumar” que já publicou outros 04 artigos:
Parar de fumar - Consciência ou Empolgação
Quando “desaprender” é o melhor aprendizado
****Aos membros e visitantes do “Eu vou parar de fumar” que gostem de escrever e tenham interesse em publicar artigos sobre tabagismo e assuntos correspondentes aqui no blog, favor enviar os textos para glaucia@euvouparardefumar.com e teremos imenso prazer em publicar, atribuindo os devidos créditos ao autor.




26/08/2009 as 11:21 am
Taí um assunto pra lá de polêmico, Solange.
Antes de mais nada, deixo claro que fumei por 30 anos, estou sem fumar no momento, considero o tabagismo uma das drogas modernas mais viciantes e limitantes que existem, concordo totalmente com ambientes coletivos limpos e livres de cigarro.
Como não podia deixar de ser, emergem vários pontos de vista sobre a lei antifumo, questões diversas são colocadas, como os malefícios do tabagismo ativo e passivo, questões sociais, respeito ao próximo, educação, direitos, etc.
Eu gosto de avaliar esta questão separando bem estes elementos: separar para analisar melhor cada parte.
Malefícios:- São muitos os males que o tabagismo causa, tanto aos fumantes ativos como passivos. Partindo do princípio que todo fumante deve zelar para que sua fumaça não incomode o alheio (isso é respeito ao próximo, educação), eu prefiro comentar a lei deixando este ponto de lado, uma vez que a cada um cabe discernir sobre a própria saúde e o próprio corpo.
Direitos:- de fumar ou de não fumar. Parecem estar muito mais relacionados a escolhas do que direitos propriamente ditos. Cada um escolhe se quer ou não fumar cigarros, beber vinho ou cerveja, jogar futebol, ouvir rock pesado, ou mesmo usar drogas. Em hipótese alguma são coisas idênticas, algumas trazem perdas, outras benefícios, e outras são indiferentes, porem todas são hábitos, escolhas.
Penso que as pessoas têm o direito de escolher por não fumar, e o estado deve garantir que estas pessoas possam exercer essa escolha, e que não sejam obrigadas a “fumar por tabela” em ambientes dos quais não possam se abster (trabalho, agência bancária, transportes coletivos, elevadores, restaurantes, supermercados, cinemas, shoppings e tantos outros ambientes coletivos fechados)
Da mesma forma, e por equidade e proporcionalidade, pessoas também deveriam ter o direito de escolher por fumar, e o estado deveria garantir o exercício desta escolha com um mínimo de dignidade. Não vejo porque proibir a existência de ambientes e locais específicos para este fim, como bares, restaurantes, casas noturnas ou mesmo os “fumódromos” devidamente projetados.
Educação / Respeito:- esse é o ponto que mais pega. E aí que a lei polemiza ao colocar todo mundo no mesmo saco e misturar causas e efeitos. Se alguém – utilizando o habito de fumar – incomoda e invade o espaço de outras pessoas, não é culpa do tabaco ou dos tabagistas, mas do indivíduo que o faz. Assim não fosse, também cercearíamos o ato de dirigir por conta de motoristas que utilizam seus veículos pondo em risco a integridade física dos outros, ora, a culpa não é dos carros ou dos motoristas. Para usar um exemplo mais parecido com o do cigarro, é o mesmo que proibir todos os shows musicais porque em alguns locais como estádios e casas noturnas o som “vaza” e fere a lei do silêncio e os ouvidos dos outros. Basta regulamentar os locais, que é o que fazem.
Poderia citar muitos exemplos similares. Há no meu ver uma clara confusão ao determinar quem é o vilão. Na dúvida – ou por pura praticidade – optaram por impedir que fumantes fumem, para resolver o problema de alguns mal educados. Não obstante, foram muito alem, pois basta ver num dia chuvoso as pessoas fumando nas calçadas sem ao menos poderem se proteger em uma marquise, já que a lei não permite qualquer tipo de “cobertura”. Será que precisava de tanto rigor para proteger não fumantes? Pra mim a lei fere o conceito de proporcionalidade e a dignidade destas pessoas.
Nem vou entrar aqui no mérito da dependência química, da adicção, e da necessidade que o fumante tem de repor nicotina com freqüência. Pela total indiferença a estas questões, fica patente o desconhecimento dos legisladores.
Resumindo, enxergo na lei alguns pontos de desrespeito às pessoas que fumam. Primeiramente por generalizar os atos de desrespeito ao invés de atuar na educação. Segundo por optar por proibir a existência de locais próprios para fumantes quando o mais respeitoso seria regulamentar essa questão. E por fim, parece até que estão querendo acabar com o tabagismo através de leis, se esquecendo que o universo tabagista é composto antes de mais nada por pessoas como eu e você, vítimas conscientes ou não de uma indústria perniciosa, e que merecem todo nosso respeito.
26/08/2009 as 12:24 pm
Renato, você foi equilibrado, sensato e imparcial em tudo o que escreveu. Os detalhes que você abordou são extremamente importantes, embora eu nos os tenha citado. Concordo, sim, que os fumantes continuam tendo o direito de fumar e não fui contrária a isto no que escrevi. Apenas acho que em lugares fechados como restaurantes, bares, boates, onde o ar fica tomado pela fumaça e os que não fumam são obrigados a fumar, a consciência e o respeito à saúde alheia deveriam estar presentes. Infelizmente sabemos que nem todos agem dessa forma.
Muitos locais reservavam um certo espaço e o intitulavam de “ala de fumantes”. Contudo, os que não fumavam estavam praticamente no mesmo ambiente, respirando o mesmo ar poluído e comendo ou bebendo em meio à fumaça. A extinção dessas alas tornou, sem dúvida, os ambientes mais agradáveis e saudáveis.
Deveria haver empenho e campanhas do governo que possibilitassem um tratamento mais acessível às pessoas que querem abandonar o vício e têm dificuldades em comprar medicamentos, não tem acesso à informação e a tratamentos.
Como eu disse no meu texto, respeito a decisão pessoal de cada um. E você reforça: “pessoas também deveriam ter o direito de escolher por fumar”. E elas tem, Renato. Porém, não têm o direito de prejudicar os demais.
Quando você se refere a estádios e casas noturnas em que o som “vaza” e fere a lei do silêncio e os ouvidos dos outros, me desculpe discordar em parte, mas as circunstâncias, embora também incômodas, não são causadoras de doenças que possam acarretar uma “DPOC” ou outros males como os que o tabagismo provoca.
Há extremismos na lei, é claro. Acho que marginaliza as pessoas o fato de terem que fumar na calçada, às vezes espremidas pelo espaço limitado. Mas, quem sabe, todo esse desconforto que a lei determina, seja um estímulo para que todos os fumantes se sintam encorajados e comecem a pensar num novo e melhor estilo de vida, não só pelos outros, mas em benefício próprio.
Um beijo, meu querido, e meus sinceros cumprimentos pela sua perspicácia em analisar as situações de forma tão abrangente.
26/08/2009 as 10:57 pm
Li os ótimos comentários anteriores e só tenho uma coisa a acrescentar. Mesmo em ambientes que fossem destinados exclusivamente a fumantes, haveriam pessoas trabalhando. A saúde desses trabalhadores tem que ser preservada, mesmo que forem fumantes. Eles teriam que inalar o que não estão fumando. De maneira alguma alguém pode ser excluído da possibilidade de um emprego pelo fato de não ser fumante e se for, não pode ser exposto a este risco somado. Seria contra a CLT.
Solange, declaro meu apoio total ao seu blog, pois infelizmente tive a triste experiência de fumar durante 03 anos e a 22 anos estou livre disso. Continue nessa batalha e escreva muito a esse respeito. Abraços.
27/08/2009 as 8:23 am
Altemar, agradeço pelos comentário e pelo apoio. Apenas com uma ressalva: este blog, que me auxilia na luta para permanecer como ex-fumante, é de criação da Gláucia (e administração do Jeffry, seu marido). Não os conheço pessoalmente, mas tenho certeza de que sobre eles brilhou uma luz superior que os ensinou a dividir a experiência de parar de fumar, beneficiando tantas outras pessoas. Um grande abraço e visite-nos sempre que puder.
28/08/2009 as 3:08 pm
A legislação antifumo é inconstitucional
A opinião é do Advogado-Geral da União, ministro José Antonio Dias Toffoli. Ele encaminhou parecer ao Supremo Tribunal Federal apontando “conflito de competências”, também chamado “violação da hierarquia normativa”. Isto é, o Estados e Municípios não podem legislar sobre assunto de alçada federal. Mesma interpretação já fora antecipada pelo advogado Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira, em artigo para a Folha de São Paulo. Mesmo o arqui-conservador Ives Gandra Martins repetiu o argumento, adicionando que a canetada autoritária de José Serra dissimula uma tentativa irregular de proibir o cigarro. Há objeções importantes também quanto à proibição de fumar em condomínios residenciais (e não apenas nas áreas abertas). O advogado Samuel Henrique Cardoso apontou que se trata de um atentado ao princípio constitucional de inviolabilidade do lar – argumento que, segundo ele, não se poderia utilizar para as propriedades comerciais. Mas, estranhamente, as análises têm ignorado um aspecto doutrinário muito mais abrangente e profundo da inconstitucionalidade da lei. O veto aos fumódromos fere um direito fundamental do cidadão: a liberdade de trânsito, ou seja, entrar e permanecer em lugares onde possa fumar sem prejudicar não-fumantes. O STF decidirá sobre a matéria nos próximos meses (se você achou que a questão estava encerrada, foi enganado pela imprensa). Será um ótimo termômetro da capacidade do Tribunal decidir sem contaminações ideológicas ou os rancores políticos de seu controverso presidente.
29/08/2009 as 5:55 pm
Guilherme, obrigada pela visita ao blog e também por ter lido e comentado sobre o tópico “O Direito de não Fumar”, escrito por mim. Sou leiga para discutir leis e desconheço a legislação federal e os conflitos que podem ter sido gerados pela lei antifumo, sancionada pelo Governador José Serra e também por governadores de outros estados, nos quais ela também passará a vigorar. Por esta razão não citei em qualquer momento a inconstitucionalidade ou não da referida lei. Esse entendimento deve ser debatido entre o governo dos Estados e o Federal. Meu único objetivo foi comentar os benefícios visíveis que frequentadores e trabalhadores de bares, restaurantes e demais locais fechados, vem usufruindo desde que a lei entrou em vigor. Concordo que fumantes deveriam ter lugares apropriados para fumar, desde que não agredissem à saúde de quem não fuma. E penso, também, que para haver respeito não seria necessária uma lei. Bastaria o bom senso. Mas , infelizmente, nem todos o tem. Fui fumante por muitos anos e sei o quanto é difícil se sentir discriminado. Muitas vezes estava com minha família num restaurante e, se quisesse fumar, eu saía, ou seja, ía fumar do lado de fora. Até em casa de parentes ou amigos que não fumam, sempre agi assim. Nunca alguém precisou me pedir, muito menos me impor isto. É uma questão de consciência e educação. Você diz “O veto aos fumódromos fere um direito fundamental do cidadão: a liberdade de trânsito, ou seja, entrar e permanecer em lugares onde possa fumar sem prejudicar não-fumantes.” Meu ponto de vista não difere do seu: todos tem o direito de fumar, porém, não têm o direito de prejudicar os demais. Um grande abraço.
21/09/2009 as 6:16 pm
não sei se vcs viram este video - a planta q fuma. não acontece nada q não sabemos ou q seja uma noviade, mas é sempre bom ver essas coisa.
A PLANTA QUE FUMA from Fischer Fala on Vimeo.