Hoje, passeando pelo blog, lendo o Novo Diário do Leitor e relendo posts antigos e novos, de pessoas com quem troquei apoio e de muitas com quem nunca troquei sequer uma palavra, deparei com um bate papo interessante, quase um debate conflitante entre alguns membros, sobre assuntos como “DEIXAR O BLOG APÓS TER CONSEGUIDO PARAR DE FUMAR” ou “SER EX-FUMANTE OU NÃO FUMANTE”.

Cada cabeça é um verdadeiro universo. Cada um tira suas conclusões e chega ao objetivo por caminhos diversos.

Fui frequentadora diária (até horária) do blog nos meus primeiros 3 meses sem fumar. Este lugar, que sempre chamo de “A CASA DA GLÁUCIA” é bendito. É iluminado, acolhedor, incentivador.

Coincidência ou não, passados meus primeiros 3 meses (os mais difíceis sem fumar), fiquei quase sem tempo até prá comer, pois trabalho para duas empresas, e isto me obrigou a me distanciar do pessoal, dessa minha ”família por escolha”.

Quando tive um tempo, passeei novamente pelo blog e retornei com o meu mais recente artigo: “PARAR DE FUMAR - CONSCIÊNCIA OU EMPOLGAÇÃO”, onde citei o distanciamento de alguns membros que antes eram tão frequentes e solícitos e, de repente, evaporaram como fumaça (alguns, infelizmente (imagino), novamente no meio dela).

Há aqueles que continuam perseverantes, mesmo distantes. E não querem mais se lembrar do vício, das dificuldades para superá-lo, das crises de abstinência, dos momentos de angústia e aflição.

Mas há aqueles que se afastaram porque recaíram; porque não querem mais essa luta difícil (o que não se pode negar que seja); porque não querem ser considerados fracassados; porque não querem tentar mais nem ser cobrados.

Antes de tudo, é preciso R E S P E I T O. Respeito às conquistas de alguns e à desistência de outros.

Senti falta de muitos amigos aqui, que desapareceram. Não simplesmente pelo fato de terem se ausentado, afinal, é direito de todos. Mas por não terem se manifestado: “vou sumir prá sempre” ou “vou dar um tempo”.

Gostaria de poder ajudar como fui ajudada, mas, como eu disse: cada cabeça é um universo.

Agora, há 7 meses sem fumar, eu digo (mas com muito cuidado, pois todos estamos sujeitos a recaídas): aprendi muito aqui, conquistei amigos e liberdade. Conquistei admiração da minha família biológica, dos meus amigos próximos e das pessoas com quem trabalho. E foi aqui que aprendi como fazer isto.

Aprendi

  • Aprendi que o café é gostoso sozinho
  • Aprendi que o sabor de um vinho perdura se não for coberto pela fumaça
  • Aprendi que me aconchegar em casa quando chove lá fora é que me faz livre
  • Aprendi que sem o vício as noites de sono são mais tranquilas
  • Aprendi que tenho domínio sobre a minha vontade
  • Aprendi que verdadeiros amigos não precisam ser visíveis e tocáveis
  • Aprendi que a solidariedade é a mais forte corrente para a vitória
  • Aprendi que não importa quantas vezes fracassei, devo tentar novamente

Em contrapartida desaprendi muitas outras coisas, cuja prática foi extremamente vantajosa.

Desaprendi

  • Desaprendi a ter que fumar porque bebi
  • Desaprendi a me vestir tarde da noite e sair na chuva porque o cigarro acabou
  • Desaprendi a me virar várias vezes na cama porque o sono foi embora
  • Desaprendi a só saber falar ao telefone se acendesse um cigarro
  • Desaprendi a expor seres que eu amo à fumaça que mata
  • Desaprendi que deixar de fumar é impossível

Aprender a respeitar opiniões e decisões alheias é uma virtude, o que não quer dizer que concordemos com elas.

Faz parte do nosso progresso como ex-fumantes nos distanciarmos gradativamente das sensações e necessidades de quando estávamos no início da batalha. E será maravilhoso que a razão para esse distanciamento seja unicamente a vitória de cada um (é o que desejo aos que já passaram por aqui e aos que ainda estão).

Quanto a ser ex-fumante ou não fumante, a meu ver, é como ser solteiro ou divorciado. Quando se é solteiro, nunca se casou. Uma vez casado, pode-se voltar a viver sozinho, mas na condição de separado, divorciado, desquitado; jamais de solteiro novamente. Podemos estar hoje na condição de não fumantes. Mas apenas “estamos” e não “somos”, pois já fomos viciados.

Acessem este link, pois é muito esclarecedor .

Não importa! O que faz a diferença é termos acordado.

E vamos procurar nos manter assim. Alertas, na vigilia, sem excesso de autoconfiança. Recaídas podem acontecer, principalmente quando nos sentimos tão seguros (experiência de minhas tentativas anteriores).

A maioria das pessoas que morre afogada sabe nadar, tem segurança e, por isto, ultrapassa seus próprios limites.

Força, coragem, solidariedade, perseverança e humildade, inclusive com si próprio. Se recair, não perca tempo se cobrando. Recomece. É compensador.

Um beijo a todos, presentes e ausentes.

Meu agradecimento eterno à minha querida Gláucia que, após ter aprendido, teve a nobreza de querer estender o benefício a outras pessoas, simplesmente com o intuito de ajudar e mostrar que é possível. Jeffry, você também é parte importante desta história.

*** Solange Simão - membro da comunidade “Eu vou parar de fumar” que já publicou outros 03 artigos:

A cor do vício

Eu o(a) declaro…EX-FUMANTE

Parar de fumar - Consciência ou Empolgação

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