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Sem Ana... Blues

(10 posts)
  1. O título desse post parece insólito, talvez seja. Quem sabe efeito do bup, ou do excesso de oxigênio que já posso sentir andando de lá pra cá no meu cérebro e pulmões... foram poucos dias desde a parada, estou (quase!!!) tranquilo (só a acupunturista é que sabe)...
    Bem, mas "Sem Ana, Blues" é o título de um conto de Caio Fernando Abreu, que está no livro "Os dragões não conhecem o paraíso". Conta a história de um homem que, certo dia, ao chegar em casa, encontra um bilhete de Ana que diz assim: "Fui embora para nunca mais voltar". Acho que é mais ou menos assim, cito de memória. Esse homem entra em parafuso e passa uma série de estágios para poder sobreviver ao abandono de Ana. PAUSA... parece uma história que a gente conhece né... Será que o cara tava sentido abstinência total da Ana? Coitado! Pra quem ler o texto vai ver que nem Bup, nem Champix, nem mesmo tabaco resolveria o caso dele... Parece que no final, depois de dar a volta por cima, se amar mais, malhar, gostar mais de si, ficar mais bonito, coisa e tal, ele guardava apenas aquele bilhete já surrado de Ana, e alguma lembrança, como eu devo imaginar que será um dia minha lembrança dos meus dias de fumante.
    Mas num era bem no homem que eu estava querendo focar. Era em Ana, porque quando a gente lê o conto, e pelas coisas que o referido sujeito, o tal "companheiro" da Ana, faz para esquecer, a Ana, a gente vê que ele era meio que "bandido". No meu entender, Ana um dia se encheu de alguém que só fazia mal para ela (alguma semelhança com a gente e o nosso amiguinho?), e depois de tanto tentar, foi embora pra nunca mais voltar... Ninguém escreveu o lado da Ana da história. Imagino a coitada correndo pra se esconder atrás da gôndola de roupa íntima das Lojas Mariza porque viu o dito cujo com cara de acabado, barba de três dias, olhos vermelhos, perambulando pelo shopping... Ela sabia, seria cena na certa... Exatamente igual ao que eu ja fiz quando vi subindo pela calçada aquele meu <<amigo>> fumante inveterado que faz questão de me oferecer cigarro, mas só quando sabe que eu parei de fumar, além de traíra, é mão de vaca o safado... Bem, mas a Ana, ela deve ter sofrido... Deve ter sofrido o que nós sofremos quando resolvemos dar o bilhete de adeus a esse companheiro indesejado que acostumamos chamar de cigarro... Será que Ana teve abstinências? Provável... Deve ter sentido falta também da presença do outro, ainda que malévola, ao seu lado... o costume faz com que sintamos falta até de nossos inimigos... Mas Ana resistiu, e como disse que faria no bilhete: NUNCA MAIS VOLTOU! Quero agora apenas a determinação e a coragem de Ana... Será demais?

  2. rsrsrsrrs mt giro o conto...amei, é exactamente aquilo que penso, é com um divorcio rsrsrsrsr daqueles com final felizzz pq nos livramos de um maldito...continue assim e mt força

  3. E não é q é mt parecido com o q tou a sentir?
    A sentir falta do inimigo, os "amigos a oferecerem e constantemente a dizerem "vou fumar um cigarrinho" e a Aida a chupar halls!!! Só gente parva. Até agora parecia-me que até tinha perdido a minha personalidade contestatária, mas hoje isto tá bravo e é bom q não me oferecam cigarrinhos senão vou partír para a agressividade rsrsrrs.
    Obrigado pelo desabafo.
    Bjs e vamos provar que quem manda somos nós e a esses amigos vamos demonstrar-lhes o quanto é bom estar do lado de cá!

  4. oi Aida assim é que se fala quem me dera estar perto de si que nós duas hj davamos-lhes uns cigarritos é num sitio que eu cá sei...
    infelizmente á mts fumadores que não querem morrer sozinhos mas no que depender de mim é mm isso que vai acontecer...LONGEEEEEE rsrsrsrrsrs

  5. É isso mesmo Sara, agora já tou melhor, mas naquilo q puder evitar vou-me manter longe deles.
    tenho aqui à minha frente halls de morango, de mentol...é à escolha!!!EH EH EH!

  6. Cláudio, Caio Fernando Abreu é ótimo. E você foi pertinente em citar aqui essa história.
    Quem será o coitado? Ana ou o ex-parceiro? Quem será que sofreu maiores sintomas de abstinência?
    Quem passou mais apuros? Ana, atrás da gôndola das lojas Marisa, ou ele que estava à espreita?
    De qualquer forma, há sempre o outro lado da história.
    Vamos escrever a nossa, apenas do nosso lado. Que o inimigo se cale e nem tente contar a dele, pois não nos interessa mais.
    Tudo na vida é questão de hábito. Acostumamo-nos até mesmo com o que é ruim. Mas alguns meses depois de experimentar a liberdade de viver sem vício, vocês verão o quanto darão valor a ela.

    Cláudio, Aida e Sara, juntem as mãos e fortaleçam essa corrente. Não a quebrem, pois cada um é um elo valioso dela.

  7. Não nascemos fumando certo não morreremos com ele basta querer lutar e conseguir bjsssssss

  8. Solange, na verdade, nosso inimigo é bem mais fraco do que a gente imagina... a força dele é nós quem criamos e alimentamos... Esse nosso inimigo, uma vez que tomamos a decisão de ANA: "Vou embora para nunca mais voltar"... ele nem vem atras de nós, não se manifesta, não se impõe... fica la de longe, olhando do expositor do buteco... só o notamos se queremos, só percebemos alguém mantendo "relações" com ele se estamos sensíveis a isso... Nosso inimigo é pequenininho demais para nos dominar do jeito que permitimos que nos domine, nós somos maiores, temos história, vivemos amores, gozamos encontros e sofremos despedidas, temos tudo isso marcado na carne, tudo muito forte, tudo muito fundo para dar poder a uma coisinha tão insignificante (claro minha amiga, o bup me faz pensar assim... mas eu acho que é um pensamento lógico e legítimo, vc não acha?)
    Então precisamos sim nos dar as mão para mostrarmos uns aos outros que somos mais, que somos maiores, que somos GENTE...

  9. Aqui tem mais duas mãos prontinhas para fortalecer a corrente!!!
    Ontem mesmo me ofereceram cigarro!!
    Quando eu fumava e se acaso tivesse sem, nem me oferecia!! Vá pra lá!! Quer ajuda para parar conte comigo, não quer parar e ainda quer me tirar? Vá tomar café sem açúcar! hehehe
    É isso amigos, vamos continuar juntos, fortes e cada vez mais longe "dele"
    "ele" foi embora e para nunca mais voltar!!!"

  10. @ Cláudio, parabéns pela maneira como você consegue ver e relacionar-se com o cigarro. Não é o Bup, não, meu amigo, que o esclarece dessa forma. Você é que educou sua mente para entender a sua importância perante a dele; a importância de tudo o que cativamos, convivemos e perdemos na vida, diante de um papel recheado de substâncias tóxicas.
    Sempre pensei e citei onde pude: perdi meus pais, meus avós, tios, um grande amor e tive que me habituar a viver sem eles. E assim, também terei que fazer com novas perdas, pois fazem parte da vida. E todos esses, eu amava e só me faziam bem.
    Portanto, o resto é resto.

    @ Simone (cristina36), há pessoas que não nos dão a mão quando precisamos. Entre elas, há algumas que, além de não nos darem a mão, nos empurram.
    Mas hoje você está do outro lado da roleta, vencendo a cada dia e é um elo forte entre nós. Deixe esses outros com seus cafés amargos.

    Beijos.

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