Drauzio – Como se explica que algumas pessoas consigam manter-se como fumantes moderados e fumem no máximo dez cigarros por dia, enquanto outras fumam três ou quatro maços?
José Rosemberg – Essa pergunta é fundamental, porque até mesmo parte dos médicos desconhece a resposta que é importante para o tratamento do fumante. O grau de dependência varia de acordo com as características genéticas, coisa que não se sabia até alguns anos atrás.
A metabolização da nicotina ocorre no fígado, num sistema chamado citocromo 450. Normalmente, 80% dela são metabolizados em 15 minutos. Entretanto, até alguns anos atrás não se sabia que a metabolização cai quando no DNA um dos 20 alelos, isto é, das 20 variedades do gene CYP2A6 é heterozigótico ou nulo. Há indivíduos que têm dez desses alelos geneticamente heterozigóticos e, embora metabolizem menos nicotina e tenham menos propensão para criar dependência, fumam mais. Já se descobriu, também, que o gene DRD2, quando heterozigótico, confere ao portador compulsão enorme para o consumo de tabaco e de qualquer outra droga.
Indivíduos que têm o gene CYP2A6 consomem grande quantidade de tabaco e têm no sangue grande quantidade de cotinina, o primeiro metabolito da composição da nicotina. Quando metabolizam pouca nicotina, têm muita nicotina no sangue e pouca cotinina, porque, apesar de circular pelo sangue, a nicotina não alcança os outros órgãos.
Se a ação da nicotina for muito forte, há uma pausa negativa na resposta dos centros cerebrais, principalmente do núcleo acumbens e dos centros dopamínicos (a dopamina é responsável pela sensação de prazer maior). Como isso aumenta a vontade de fumar e a ansiedade, a pessoa precisa fumar de novo para compensar as unidades que foram sideradas.
Há mais de cem anos, o grande poeta e escritor Oscar Wilde definiu o cigarro como objeto do prazer requintado, mas que deixa descontente. Hoje, conhecemos a explicação genética desses efeitos: a queda da dopamina provocada pela fase negativa dos centros nervosos faz com que o fumante se sinta mal e precise fumar outra vez.
Drauzio – Em que consiste o tratamento para os fumantes?
José Rosemberg - Podemos contar com a reposição de nicotina e com os antidepressivos. Além disso, descobriu-se uma substância chamada Metoxalem, que tem a propriedade de decompor o gene CYP2A6 e, quando ele não é codificado, a tendência para fumar é menor. Estudos clínicos e em ratos de laboratório já provaram a eficácia dessa substância e espera-se de daqui a quatro ou cinco anos esteja à disposição no mercado. Além dessa há outra, a Nortriptilina, com ação semelhante, porém, menos intensa.
A grande esperança, porém, está na vacina contra a nicotina, que já tem nome – Nicvacs - e está na fase dois de pesquisa clínica. O processo de obtenção é mais ou menos o seguinte: liga-se a nicotina, que tem peso molecular muito baixo, a uma proteína de peso molecular alto. Fundem-se as duas. Prepara-se um anticorpo que reconhece essa junção e não atravessa a membrana cerebral. O indivíduo pode tragar que a nicotina não chega ao cérebro porque foi anulada pelos anticorpos.
Drauzio – Mas não fica a vontade permanente de fumar?
José Rosemberg – A vontade de fumar vai caindo aos poucos e, mesmo que não desapareça, a pessoa não sentirá prazer, porque a nicotina não chegará ao cérebro. Espera-se que daqui a dez anos ou um pouco antes, talvez, essa vacina esteja à disposição para ser comercializada.
Drauzio – O senhor largou de fumar há quase setenta anos e ainda sonha que está fumando?
José Rosemberg – Nesses anos todos, tive uma ou outra recaída, que consegui superar, mas até hoje guardo uma coleção de cachimbos, cara e bonita, que mostro de vez em quando.
Cito esse exemplo de que PARAR DE FUMAR NÃO É UMA DECISÃO QUE DEPENDA SÓ DA VONTADE DO FUMANTE. ELE É UM DEPENDENTE DE NICOTINA E PODE TER UM PROBLEMA GENÉTICO QUE NECESSITA DE TRATAMENTO.
PS: O ÚLTIMO PARAGRAFO SERVE PARA AQUELAS PESSOAS QUE ACREDITAM PIAMENTE NA INFALÍVEL E MILAGROSA FORÇA DE VONTADE, COMO SE SÓ ELA FOSSE A SOLUÇÃO, ÚNICA E GRANDE RESPONSÁVEL PELA CESSAÇÃO DO TABAGISMO.
Nádia, excelente post. Muitíssimo importante colocá-lo aqui. Leio sempre as reportagens do Drauzio - que muito admiro - e é um ex-fumante também.
Como se diz: "Existem os que matam os leões com as próprias mãos; mas há os que necessitam das espingardas..."
Não vamos julgar fracos os que precisam da espingarda, e não vamos simplesmente "achar" que podemos usar somente nossa força, pois pode ser que o leão nos devore...
Olá Serginho, era essa mensagem que eu queria deixar: NÃO JULGAR
Não julgar aqueles que não conseguem parar de fumar e são taxados de fracos, de "sem opinião", sem "vergonha na cara" e tantos outros adjetivos que já vi atribuirem a uma pessoa que não consegue parar de fumar, até mesmo aqui neste site.
Se pra algumas pessoas falta realmente um pouco mais de esforço e empenho em parar de fumar, há outras que necessitam realmente de tratamento como diz a matéria acima.
Gostei do exemplo que vc deixou e fico mortificada quando vejo certas associações a fumantes que não conseguem parar de fumar ou que lutam com todas as forças e recaem, continuam e recaem....e aí logo vem o julgamento: Falta de força de vontade, ou pior ainda, falta de vergonha na cara, isso é terrível e desumano.
Nossa Nadia, adorei esta colocação final.
Realmente, acredito que não depende apenas da nossa determinação, sem considerarmos que há uma dependencia quimica instalada.
Temos que trabalhar os 2 aspectos juntos, para um resultado positivo.
Estou no meu 9o. dia, sem fumar e cada dia me sinto mais livre deste vicio que me escravizou durante tantos anos. São 9 maços, 180 cigarros a menos. Está mais fácil do que esperava.
Agradeço e continuo contando com o apoio de todos vcs.
Poxa, sempre pareceu-me bem provável que a genética determinasse o perfil tabagista de cada fumante. Confirmando isso agora é uma boa notícia. Mais informação e menos julgamentos.
Isso derrubaria uma série de mitos, hein?
- Seria a genética o principal fator determinante da quantidade de cigarros/dia que cada fumante consome, e não outros fatores.
- Isso desmontaria a crença que um fumante compulsivo poderia tornar-se fumante eventual (diminuir cigarros, fumar um por dia, etc), pois um cigarro a menos que a quantidade programada geneticamente implicaria em sofrimento ad eternum.
O contrário também seria verdadeiro, um fumante eventual de longa data não se tornaria um compulsivo de uma hora pra outra, ou seja, cada um fuma o quanto precisa, o quanto o corpo pede, sem que a "vontade" interfira nesse processo.
- Fumante compulsivo não seria um "descontrolado", mas sim um cabra programado pra ser assim.
E outras coisas mais.
Me conforta a idéia implicita de que - independente da programação genética - para qualquer tipo de fumante a desintoxicação se dá de maneira semelhante, qualquer fumante pode "por pra dormir" os receptores de nicotina, independente da "sede" desses bichinhos, rsrs.
O que vai variar é o nível de sofrimento de cada um versus capacidade individual de enfrentá-lo. Aí que os remédios e terapias de reposição exercem papel importante, dando a todos insdistintamente a possibilidade de abandonar o cigarro.
+EDIT+
quer dizer, indistintamente não né, pois esses tratamentos ainda são muito caros. Quem está ruim de grana meio que fica "fora" dessas terapias, o que é lamentável.
Eu já havia comentado uma vez com meu médico,que achava que o fumante já "nascia" fumante, assim como o alcoólatra já nasce alcoólatra, e é isso mesmo. Sempre me chamou a atenção, pessoas que fumavam um tempo, pouca quantidade, e depois simplesmente paravam com a mesma facilidade que parava de usar aquela roupa antiga que já não servia mais. Durantes esses anos de minha vida, presenciei muitos casos desses - enquanto eu fumava incessantemente e cada vez mais - via os fumantes de fim de semana, os fumantes das biritas, os fumantes só depois do almoço e etc... E eu pensava - como é que eles conseguem...? - Hoje entendo muito bem isso e sei que sou um "fumador nato", e olha, nem minha mãe nem meu pai eram fumantes, se minha mãe fosse fumante e tivesse fumado duarante minha gestação, poderia até dizer que era por isso; mas na realidade a história é outra. Mas quanto mais entendemos nossa situação, mais fácil fica nos posicionarmos corretamente em relação a ela...
Sergio, isso tudo que vc falou e exatamente o que passava na minha cabeça. Porque tinha gente que brincava à vontade com o cigarro eventualmente e eu tinha que ser tão compulsivo? Ficava deprimido com isso, achando que eu não tinha o controle que eles tinham. Também acredito que deve ser igual com alcool ou outros vícios, a gente meio que já nasce com a predisposição.
Isso mesmo Biscuit. Na conversa que tive com meu médico, ele explicou em detalhes o que se tem descoberto ultimamente a esse respeito. É interessante tbm porque de certa forma - embora tanto o alcoolismo quanto tabagismo sejam considerados doença,- por outro lado não é bem assim. Na realidade é uma espécie de "condição orgânica" que certas pessoas têm em relação ao álcool e outras ao fumo, e outras - o que é bem pior - a ambas.
Eu por exemplo não tenho nenhum problema com álcool. Sempre bebo quando quero, a quantidade que quero, e sempre fico, como aconteceu agora com o tratamento, mais de 6 meses sem por uma gota de álcool na boca, e não sentir sequer saudade. Ia nas festas à base de refri tranquilamente. Mas, quanto ao fumo é outra história. A compreensão vem se dando com os avanços da ciências e reestudos em certas áreas. Essa por ex. citada pelo Dr. Drauzio sobre as Isoenzimas do fígado, grupo CYPXXX etc, elas atuam determinantemente nesse quadro de "vício". De uma forma simples, podemos dizer que explicam porque umas pessoas viciam e outras não e a graduação nesses mesmos casos. E fatores nos cromossomos também... Resumindo, é um certo alívio para nós, tipo assim: Bom, não sou nem tão idiota nem tão fraco quanto pensava. Meu único erro foi ter entrado nessa sem saber- mas por outro lado, naquela época nem a ciência sabia que isso existia...
Mas, isso não importa, mas vejo isso com um teor reconfortante, e mais clareador em sentido do nosso posicionamento em relação a nossa "tendência fumígena "
Serginho e Biscuit, sempre tive tais conflitos também.
Via sempre meu marido pegando um cigarro aqui e outro ali, fumando quando dava vontade, ficando dias sem fumar, comprando um maço de cigarros que durava mais de uma semana até ficar amassado como "cigarro de bêbado" e invejando não ter o mesmo controle!
A irmã dele igual: fumava por "diversão" e quando viu que a "diversão" estava se tornando muito rotineira, decidiu parar e PAROU como quem cospe um chiclete mastigado e sem gosto, simples assim.
Dizia a meu marido que eu acreditava que já tinha nascido tabagista, mas se nunca tivesse colocado um cigarro na boca, não teria descoberto tal condição, mas como coloquei....
Bebida não gosto, nunca gostei, nem do gosto de nenhuma delas, seja qual for e nem das consequencias dela quando usada sem a moderação necessária. Antes de perder o meu pai por causa do cigarro, o perdi para a bebida!
Ele tinha os dois vícios que não conseguiu largar até o fim da vida.
Mas, assim como quando comecei a fumar e achei o gosto do cigarro horroroso e a principio não via graça nenhuma, insisti mesmo assim e viciei, acredito que da mesma forma poderia acontecer com a bebida, creio que tenho a tal da predisposição para ambas as "maldições".
Guardo traumas horríveis em relação a bebida por causa do meu pai alcoolatra, da mesma forma e até pior, o meu irmão também os tem.
Ele odiava bebida propriamente dita e também tudo o que ela representa em nossas vidas desde a infância. Porém, mesmo assim começou a tomar cervejas esporadicamente e hoje toma com frequencia e sem moderação. Além do cigarro que ele também fuma - já tentou parar algumas vezes e também não conseguiu - agora também bebe, seguindo os mesmos passos do meu pai.
Por tudo isto acredito mesmo, que tenhamos uma predisposição genética a vicios. Alguns descobrem que tem e outros que nunca se arriscaram a experimentar não vão descobrir nunca.
Mas como tudo na vida tem seus mistérios, tenho mais dois irmãos que detestam tanto o cigarro quanto a bebida.
A mãe do meu marido era viciadissima em cigarro e morreu com um AVC, muito provavelmente provocado pelo fumo.
Ainda mais...a família dele, também por parte de mãe é quase toda alcoolatra, o pai dele morreu alcoolatra!
Meu marido teve alguns sérios problemas com bebida, que graças a Deus hoje estão superados. Não teve problema com o cigarro, já com a bebida....
Vai entender...As probabilidades genéticas devem explicar.
Tava fuçando nos topicos mais antigos e descobri esse
Maravilha!!!
Herdei o gens do cigarro,pois tinha pais fumantes, ambos já morreram e fumaram até o fim da vida...acho que os perdi mais cedo do que deveria por causa do cigarro.Já qto a bebida nenhum dos dois gostava e eu tb nao gosto.Cigarro, esse sim é meu vicio.
Sinto grande alivio em saber que nao é somente força de vonta e vergonha na cara que nos faz abandonar o vicio.Eu sou uma pessoa totalmente dependente da nicotina,vou precisar de ajuda com certeza pra parar... sei lá.... mas ainda vou me testar pra valer.
Ótima matéria, gostaria tanto de ser aquelas pessoas que param como se nunca tivessem fumado, aquelas que lá de vez em quando dão uma tragadinha no barzinho p acompanhar a cervejinha, ou aquelas que tem uma carteira de cigarro de cravo jogado na estante por meses e nem dão bola....
Mas não, meu avo paterno era fumante, meu pai é fumante... não gostaria de ter herdado este vício.
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Publicado 1 ano atrás
Drauzio – Como se explica que algumas pessoas consigam manter-se como fumantes moderados e fumem no máximo dez cigarros por dia, enquanto outras fumam três ou quatro maços?
José Rosemberg – Essa pergunta é fundamental, porque até mesmo parte dos médicos desconhece a resposta que é importante para o tratamento do fumante. O grau de dependência varia de acordo com as características genéticas, coisa que não se sabia até alguns anos atrás.
A metabolização da nicotina ocorre no fígado, num sistema chamado citocromo 450. Normalmente, 80% dela são metabolizados em 15 minutos. Entretanto, até alguns anos atrás não se sabia que a metabolização cai quando no DNA um dos 20 alelos, isto é, das 20 variedades do gene CYP2A6 é heterozigótico ou nulo. Há indivíduos que têm dez desses alelos geneticamente heterozigóticos e, embora metabolizem menos nicotina e tenham menos propensão para criar dependência, fumam mais. Já se descobriu, também, que o gene DRD2, quando heterozigótico, confere ao portador compulsão enorme para o consumo de tabaco e de qualquer outra droga.
Indivíduos que têm o gene CYP2A6 consomem grande quantidade de tabaco e têm no sangue grande quantidade de cotinina, o primeiro metabolito da composição da nicotina. Quando metabolizam pouca nicotina, têm muita nicotina no sangue e pouca cotinina, porque, apesar de circular pelo sangue, a nicotina não alcança os outros órgãos.
Se a ação da nicotina for muito forte, há uma pausa negativa na resposta dos centros cerebrais, principalmente do núcleo acumbens e dos centros dopamínicos (a dopamina é responsável pela sensação de prazer maior). Como isso aumenta a vontade de fumar e a ansiedade, a pessoa precisa fumar de novo para compensar as unidades que foram sideradas.
Há mais de cem anos, o grande poeta e escritor Oscar Wilde definiu o cigarro como objeto do prazer requintado, mas que deixa descontente. Hoje, conhecemos a explicação genética desses efeitos: a queda da dopamina provocada pela fase negativa dos centros nervosos faz com que o fumante se sinta mal e precise fumar outra vez.
Drauzio – Em que consiste o tratamento para os fumantes?
José Rosemberg - Podemos contar com a reposição de nicotina e com os antidepressivos. Além disso, descobriu-se uma substância chamada Metoxalem, que tem a propriedade de decompor o gene CYP2A6 e, quando ele não é codificado, a tendência para fumar é menor. Estudos clínicos e em ratos de laboratório já provaram a eficácia dessa substância e espera-se de daqui a quatro ou cinco anos esteja à disposição no mercado. Além dessa há outra, a Nortriptilina, com ação semelhante, porém, menos intensa.
A grande esperança, porém, está na vacina contra a nicotina, que já tem nome – Nicvacs - e está na fase dois de pesquisa clínica. O processo de obtenção é mais ou menos o seguinte: liga-se a nicotina, que tem peso molecular muito baixo, a uma proteína de peso molecular alto. Fundem-se as duas. Prepara-se um anticorpo que reconhece essa junção e não atravessa a membrana cerebral. O indivíduo pode tragar que a nicotina não chega ao cérebro porque foi anulada pelos anticorpos.
Drauzio – Mas não fica a vontade permanente de fumar?
José Rosemberg – A vontade de fumar vai caindo aos poucos e, mesmo que não desapareça, a pessoa não sentirá prazer, porque a nicotina não chegará ao cérebro. Espera-se que daqui a dez anos ou um pouco antes, talvez, essa vacina esteja à disposição para ser comercializada.
Drauzio – O senhor largou de fumar há quase setenta anos e ainda sonha que está fumando?
José Rosemberg – Nesses anos todos, tive uma ou outra recaída, que consegui superar, mas até hoje guardo uma coleção de cachimbos, cara e bonita, que mostro de vez em quando.
Cito esse exemplo de que PARAR DE FUMAR NÃO É UMA DECISÃO QUE DEPENDA SÓ DA VONTADE DO FUMANTE. ELE É UM DEPENDENTE DE NICOTINA E PODE TER UM PROBLEMA GENÉTICO QUE NECESSITA DE TRATAMENTO.
PS: O ÚLTIMO PARAGRAFO SERVE PARA AQUELAS PESSOAS QUE ACREDITAM PIAMENTE NA INFALÍVEL E MILAGROSA FORÇA DE VONTADE, COMO SE SÓ ELA FOSSE A SOLUÇÃO, ÚNICA E GRANDE RESPONSÁVEL PELA CESSAÇÃO DO TABAGISMO.
http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/nicotina6.asp
Publicado 1 ano atrás
Nádia, excelente post. Muitíssimo importante colocá-lo aqui. Leio sempre as reportagens do Drauzio - que muito admiro - e é um ex-fumante também.
Como se diz: "Existem os que matam os leões com as próprias mãos; mas há os que necessitam das espingardas..."
Não vamos julgar fracos os que precisam da espingarda, e não vamos simplesmente "achar" que podemos usar somente nossa força, pois pode ser que o leão nos devore...
Publicado 1 ano atrás
Olá Serginho, era essa mensagem que eu queria deixar: NÃO JULGAR
Não julgar aqueles que não conseguem parar de fumar e são taxados de fracos, de "sem opinião", sem "vergonha na cara" e tantos outros adjetivos que já vi atribuirem a uma pessoa que não consegue parar de fumar, até mesmo aqui neste site.
Se pra algumas pessoas falta realmente um pouco mais de esforço e empenho em parar de fumar, há outras que necessitam realmente de tratamento como diz a matéria acima.
Gostei do exemplo que vc deixou e fico mortificada quando vejo certas associações a fumantes que não conseguem parar de fumar ou que lutam com todas as forças e recaem, continuam e recaem....e aí logo vem o julgamento: Falta de força de vontade, ou pior ainda, falta de vergonha na cara, isso é terrível e desumano.
Publicado 1 ano atrás
Nossa Nadia, adorei esta colocação final.
Realmente, acredito que não depende apenas da nossa determinação, sem considerarmos que há uma dependencia quimica instalada.
Temos que trabalhar os 2 aspectos juntos, para um resultado positivo.
Estou no meu 9o. dia, sem fumar e cada dia me sinto mais livre deste vicio que me escravizou durante tantos anos. São 9 maços, 180 cigarros a menos. Está mais fácil do que esperava.
Agradeço e continuo contando com o apoio de todos vcs.
Publicado 1 ano atrás
Legal essa entrevista, Nadia!
Poxa, sempre pareceu-me bem provável que a genética determinasse o perfil tabagista de cada fumante. Confirmando isso agora é uma boa notícia. Mais informação e menos julgamentos.
Isso derrubaria uma série de mitos, hein?
- Seria a genética o principal fator determinante da quantidade de cigarros/dia que cada fumante consome, e não outros fatores.
- Isso desmontaria a crença que um fumante compulsivo poderia tornar-se fumante eventual (diminuir cigarros, fumar um por dia, etc), pois um cigarro a menos que a quantidade programada geneticamente implicaria em sofrimento ad eternum.
O contrário também seria verdadeiro, um fumante eventual de longa data não se tornaria um compulsivo de uma hora pra outra, ou seja, cada um fuma o quanto precisa, o quanto o corpo pede, sem que a "vontade" interfira nesse processo.
- Fumante compulsivo não seria um "descontrolado", mas sim um cabra programado pra ser assim.
E outras coisas mais.
Me conforta a idéia implicita de que - independente da programação genética - para qualquer tipo de fumante a desintoxicação se dá de maneira semelhante, qualquer fumante pode "por pra dormir" os receptores de nicotina, independente da "sede" desses bichinhos, rsrs.
O que vai variar é o nível de sofrimento de cada um versus capacidade individual de enfrentá-lo. Aí que os remédios e terapias de reposição exercem papel importante, dando a todos insdistintamente a possibilidade de abandonar o cigarro.
+EDIT+
quer dizer, indistintamente não né, pois esses tratamentos ainda são muito caros. Quem está ruim de grana meio que fica "fora" dessas terapias, o que é lamentável.
Publicado 1 ano atrás
Eu já havia comentado uma vez com meu médico,que achava que o fumante já "nascia" fumante, assim como o alcoólatra já nasce alcoólatra, e é isso mesmo. Sempre me chamou a atenção, pessoas que fumavam um tempo, pouca quantidade, e depois simplesmente paravam com a mesma facilidade que parava de usar aquela roupa antiga que já não servia mais. Durantes esses anos de minha vida, presenciei muitos casos desses - enquanto eu fumava incessantemente e cada vez mais - via os fumantes de fim de semana, os fumantes das biritas, os fumantes só depois do almoço e etc... E eu pensava - como é que eles conseguem...? - Hoje entendo muito bem isso e sei que sou um "fumador nato", e olha, nem minha mãe nem meu pai eram fumantes, se minha mãe fosse fumante e tivesse fumado duarante minha gestação, poderia até dizer que era por isso; mas na realidade a história é outra. Mas quanto mais entendemos nossa situação, mais fácil fica nos posicionarmos corretamente em relação a ela...
Publicado 1 ano atrás
Sergio, isso tudo que vc falou e exatamente o que passava na minha cabeça. Porque tinha gente que brincava à vontade com o cigarro eventualmente e eu tinha que ser tão compulsivo? Ficava deprimido com isso, achando que eu não tinha o controle que eles tinham. Também acredito que deve ser igual com alcool ou outros vícios, a gente meio que já nasce com a predisposição.
Publicado 1 ano atrás
Isso mesmo Biscuit. Na conversa que tive com meu médico, ele explicou em detalhes o que se tem descoberto ultimamente a esse respeito. É interessante tbm porque de certa forma - embora tanto o alcoolismo quanto tabagismo sejam considerados doença,- por outro lado não é bem assim. Na realidade é uma espécie de "condição orgânica" que certas pessoas têm em relação ao álcool e outras ao fumo, e outras - o que é bem pior - a ambas.
"
Eu por exemplo não tenho nenhum problema com álcool. Sempre bebo quando quero, a quantidade que quero, e sempre fico, como aconteceu agora com o tratamento, mais de 6 meses sem por uma gota de álcool na boca, e não sentir sequer saudade. Ia nas festas à base de refri tranquilamente. Mas, quanto ao fumo é outra história. A compreensão vem se dando com os avanços da ciências e reestudos em certas áreas. Essa por ex. citada pelo Dr. Drauzio sobre as Isoenzimas do fígado, grupo CYPXXX etc, elas atuam determinantemente nesse quadro de "vício". De uma forma simples, podemos dizer que explicam porque umas pessoas viciam e outras não e a graduação nesses mesmos casos. E fatores nos cromossomos também... Resumindo, é um certo alívio para nós, tipo assim: Bom, não sou nem tão idiota nem tão fraco quanto pensava. Meu único erro foi ter entrado nessa sem saber- mas por outro lado, naquela época nem a ciência sabia que isso existia...
Mas, isso não importa, mas vejo isso com um teor reconfortante, e mais clareador em sentido do nosso posicionamento em relação a nossa "tendência fumígena
Publicado 1 ano atrás
Serginho e Biscuit, sempre tive tais conflitos também.
Via sempre meu marido pegando um cigarro aqui e outro ali, fumando quando dava vontade, ficando dias sem fumar, comprando um maço de cigarros que durava mais de uma semana até ficar amassado como "cigarro de bêbado" e invejando não ter o mesmo controle!
A irmã dele igual: fumava por "diversão" e quando viu que a "diversão" estava se tornando muito rotineira, decidiu parar e PAROU como quem cospe um chiclete mastigado e sem gosto, simples assim.
Dizia a meu marido que eu acreditava que já tinha nascido tabagista, mas se nunca tivesse colocado um cigarro na boca, não teria descoberto tal condição, mas como coloquei....
Bebida não gosto, nunca gostei, nem do gosto de nenhuma delas, seja qual for e nem das consequencias dela quando usada sem a moderação necessária. Antes de perder o meu pai por causa do cigarro, o perdi para a bebida!
Ele tinha os dois vícios que não conseguiu largar até o fim da vida.
Mas, assim como quando comecei a fumar e achei o gosto do cigarro horroroso e a principio não via graça nenhuma, insisti mesmo assim e viciei, acredito que da mesma forma poderia acontecer com a bebida, creio que tenho a tal da predisposição para ambas as "maldições".
Guardo traumas horríveis em relação a bebida por causa do meu pai alcoolatra, da mesma forma e até pior, o meu irmão também os tem.
Ele odiava bebida propriamente dita e também tudo o que ela representa em nossas vidas desde a infância. Porém, mesmo assim começou a tomar cervejas esporadicamente e hoje toma com frequencia e sem moderação. Além do cigarro que ele também fuma - já tentou parar algumas vezes e também não conseguiu - agora também bebe, seguindo os mesmos passos do meu pai.
Por tudo isto acredito mesmo, que tenhamos uma predisposição genética a vicios. Alguns descobrem que tem e outros que nunca se arriscaram a experimentar não vão descobrir nunca.
Mas como tudo na vida tem seus mistérios, tenho mais dois irmãos que detestam tanto o cigarro quanto a bebida.
A mãe do meu marido era viciadissima em cigarro e morreu com um AVC, muito provavelmente provocado pelo fumo.
Ainda mais...a família dele, também por parte de mãe é quase toda alcoolatra, o pai dele morreu alcoolatra!
Meu marido teve alguns sérios problemas com bebida, que graças a Deus hoje estão superados. Não teve problema com o cigarro, já com a bebida....
Vai entender...As probabilidades genéticas devem explicar.
Publicado 1 ano atrás
Tava fuçando nos topicos mais antigos e descobri esse
Maravilha!!!
Herdei o gens do cigarro,pois tinha pais fumantes, ambos já morreram e fumaram até o fim da vida...acho que os perdi mais cedo do que deveria por causa do cigarro.Já qto a bebida nenhum dos dois gostava e eu tb nao gosto.Cigarro, esse sim é meu vicio.
Sinto grande alivio em saber que nao é somente força de vonta e vergonha na cara que nos faz abandonar o vicio.Eu sou uma pessoa totalmente dependente da nicotina,vou precisar de ajuda com certeza pra parar... sei lá.... mas ainda vou me testar pra valer.
Publicado 1 ano atrás
Ótima matéria, gostaria tanto de ser aquelas pessoas que param como se nunca tivessem fumado, aquelas que lá de vez em quando dão uma tragadinha no barzinho p acompanhar a cervejinha, ou aquelas que tem uma carteira de cigarro de cravo jogado na estante por meses e nem dão bola....
Mas não, meu avo paterno era fumante, meu pai é fumante... não gostaria de ter herdado este vício.
bjks a todos e VAMO QUE VAMO