A nossa querida amiga Rosangela (a Zanza) enviou um texto muito interessante que ela encontrou na Folha de São Paulo de autoria de Mário Cesar Carvalho que derruba o mito que cigarros emagrecem. Acompanhem a reportagem na íntegra aqui no “Eu vou Parar de Fumar”.

Uma das crenças sobre o cigarro que resistiu incólume a 50 anos de pesquisas, a de que o fumo emagrece, não vale para todos. Um estudo conduzido pela Universidade de Glasgow, na Escócia, mostrou que essa regra tem uma exceção: não vale para aqueles que têm entre 16 e 24 anos.

engordando Um levantamento feito com mil jovens nessa faixa etária concluiu que os fumantes têm uma predisposição maior para ganhar peso ou se tornar obesos quando comparados àqueles que não fumam. A tendência é maior entre as mulheres.

A cardiologista Jaqueline Scholz Issa, do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas de São Paulo, diz que a conclusão da pesquisa é “uma grande novidade” médica: “Não havia estudo mostrando que o fumante pode ganhar mais peso do que o não-fumante”, afirma ela.

Um dos autores da pesquisa, o nutricionista Mike Lean, do departamento de nutrição humana da Universidade de Glasgow, diz que a interação entre fumo, gordura e hormônios pode explicar por que as jovens ganham peso ao fumar. Outra explicação, segundo ele, é que jovens têm uma predisposição maior para desenvolver uma flacidez no diafragma em conseqüência do fumo.

O dano muscular, segundo o pesquisador, reduz a capacidade de queimar gorduras. A flacidez do diafragma atinge mais o sexo feminino: enquanto 25% das meninas de 15 anos têm esse dano muscular, nos meninos da mesma idade o índice cai para 14%.

O estudo, publicado no “International Journal of Obesity”, examinou o IMC (índice de massa muscular) de 9.047 pessoas entre 16 e 74 anos, que haviam sido examinadas pela Pesquisa Escocesa de Saúde em 1998. O IMC é calculado dividindo-se o peso (em quilos) pela altura elevada ao quadrado (em metro). Os índices entre 25 e 29,9 indicam sobrepeso; acima de 30 apontam obesidade. Além do IMC, o levantamento mediu o quadril e a cintura dos pesquisados.

O resultado mostrou, ainda de acordo com Lean, que os jovens de 16 a 24 anos de ambos os sexos têm uma tendência de ser mais pesados do que o grupo de não-fumantes. Há outros índices que apontam ganho de peso. A cintura das adolescentes fumantes cresce mais rapidamente do que a das não-fumantes. Em metade das adolescentes, o índice de massa corporal era acima de 25, o que indica sobrepeso ou obesidade.

A descarga de hormônio que ocorre nessa faixa etária provoca aumento de peso em adolescentes, segundo Lean. A gordura no abdômen enche o sistema circulatório com massa gordurosa e hormônios. Essa combinação é inflamatória para os tecidos.

A hipótese de que o ganho de peso poderia ser resultado do consumo de bebida alcoólica ou de falta de exercícios não foi comprovada na pesquisa, afirma o nutricionista. Mesmo quando esses fatores são ponderados, a diferença entre fumantes e não-fumantes é “significante”. Para Lean, a única forma segura de perder peso é comer menos e fazer mais exercícios.

Surpresa Inesperada

A chefe da divisão de Controle do Tabagismo do Inca (Instituto Nacional do Câncer), Tânia Cavalcante, diz que o resultado da pesquisa é uma surpresa porque imperava a idéia generalizada de que o cigarro emagrece porque queima mais lipídios ao acelerar o metabolismo e porque o paladar do fumante faz com que ele coma menos. Para ela, a pesquisa pode minar um dos últimos nichos da indústria do cigarro: a associação entre fumo e mulheres esbeltas.

A cardiologista Jaqueline Scholz Issa diz que a hipótese do estudo, de que a interação entre fumo e hormônios pode levar a aumento de peso, faz sentido. Já se sabia, diz ela, que o fumo tem uma interferência metabólica “fenomenal”: o cigarro eleva a resistência à insulina e provoca aumento da gordura visceral. O fumo também reduz a produção de HDL, o colesterol protetor. É por causa dessa combinação – menos HDL e mais gordura visceral – que o fumante corre mais risco de sofrer doenças cardíacas.

Tudo isso, no entanto, não invalida a hipótese de que a pesquisa pode ter captado um viés: o de que as garotas gordas comecem a fumar para emagrecer, diz Jaqueline. O problema do estudo, de acordo com a cardiologista, é que não dá para entender por que o fumo provocaria aumento de peso até os 24 anos e depois dessa idade tem um efeito contrário. Só novas pesquisas podem acabar com essas dúvidas, de acordo com Jaqueline.

Crédito da foto: Galeria de ooOJasonOoo no Flickr

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