Rede de Ricardo Afonso Teixeira

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  1. 19/09/2009
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    Ricardo Afonso Teixeira

    A combinação de cigarro, colesterol alto e hipertensão arterial reduz em 10-15 anos a vida dos homens, diz estudo.

    Por Ricardo Teixeira

    Fatores de risco vascular como hipertensão arterial, colesterol alto e tabagismo são capazes de fazer com que homens de meia idade percam 10 a 15 anos de vida, revela estudo recém-publicado pelo periódico British Medical Journal. As condições gerais de saúde e hábitos de vida de quase 20 mil homens ingleses com idades entre 40 e 69 anos foram avaliados no fim da década de 1960. Nessa época, 42% dos participantes do estudo fumava, 39% apresentava hipertensão arterial e 51% colesterol alto.

    Após 28 anos, dois terços dos sete mil indivíduos que ainda estavam vivos tinham parado de fumar e houve também uma redução de dois terços na proporção entre aqueles apresentavam pressão arterial e colesterol altos em relação àqueles que apresentavam esses índices baixos. A presença concomitante desses três fatores de risco vascular aumentava em três vezes o risco de morte por causas vasculares (ex: infarto do coração e derrame cerebral) e em duas vezes o risco de morte por causas não vasculares. Aos 50 anos de idade, um indivíduo com os três fatores de risco ainda viveu em média 23 anos, enquanto aqueles que não os apresentavam viveram 33 anos, 10 anos a mais. Os pesquisadores criaram ainda uma pontuação que levava em conta outros fatores de risco como obesidade e diabetes, e quanto mais fatores presentes maior essa pontuação. Eles demonstraram que os 5% com maior pontuação viviam 20 anos após os 50 anos de idade, enquanto os 5% com menor pontuação ainda viviam 35 anos após os 50, 15 anos a mais.

    Hábitos de vida como atividade física regular, dieta saudável e ficar longe do cigarro são a chave do negócio para a longevidade. Uma pesquisa recente já havia demonstrado entre ingleses que o tabagismo por si só é capaz de encurtar a vida em 10 anos. Parar de fumar aos 60,50,40 e 30 anos de idade é capaz de acrescentar 3,6,9 e 10 anos respectivamente. O prêmio não é nada pequeno, hein?

     
  2. 25/05/2009
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    Ricardo Afonso Teixeira

    Estudo demonstra que programas para parar de fumar pela internet são eficazes

    As atuais estratégias com eficácia comprovada para ajudar um indivíduo a largar o vício do cigarro incluem medicações e aconselhamento individual ou em grupo, e até mesmo por telefone. Além disso, estudos que avaliaram a eficácia de programas de apoio pela internet têm revelado resultados conflituosos. Uma metanálise recém-publicada pelo periódico Archives of Internal Medicine envolvendo 22 diferentes estudos confirma que esses programas pela internet são realmente eficazes.

    Os estudos avaliados envolveram quase 16 mil participantes de programas anti-tabagistas pela internet e outros 13,5 mil indivíduos que não participaram de tais programas representando o grupo controle. O resultado da análise foi que os participantes do programa tiveram uma chance 1.5 vezes maior de parar de fumar quando comparado ao grupo controle. Após uma ano de seguimento, 10% do grupo que foi submetido ao programa continuou sem fumar e só 5.7% no caso dos controles.

    O uso da internet não pára de crescer ao redor do mundo e não há como deixar de levar em consideração programas anti-tabagistas baseados na rede de computadores pela ampla disponibilidade e eficácia.

     
  3. 11/04/2009
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    Ricardo Afonso Teixeira

    A indústria do tabaco já jogou bem sujo. Será que a de alimentos está indo no mesmo caminho?

    Dr. Ricardo Teixeira

    No começo da década de 50, evidências da associação entre o tabagismo e câncer de pulmão já começavam a aparecer, causando redução significativa nas vendas de cigarro nos EUA. Em 1953, as lideranças das principais indústrias de cigarro se encontraram secretamente na cidade de Nova Iorque e decidiram disparar um informe publicitário em 48 diferentes jornais para contornar as más notícias: “ O interesse na saúde das pessoas é uma responsabilidade básica, assim como qualquer outra dimensão de nosso negócio”. Prometiam ainda: “Temos cooperado e sempre estaremos cooperando para a salvaguarda da saúde pública”. Nas décadas de 60 e 70 continuaram com um mantra que não tinha muito apego à verdade: “ainda não há provas que o cigarro causa câncer”.

    A obesidade é uma pandemia que está lado a lado com o tabagismo como um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo. O cerco à indústria alimentícia tem ficado mais apertado e hoje podemos observar restrições à propaganda e aumento dos impostos de alimentos considerados não saudáveis, assim como escolas que têm proibido a venda de refrigerantes, biscoitos e salgadinhos industrializados. Em resposta, atitudes defensivas por parte da indústria de alimentos têm sido observadas. Recentemente a Austrália exigiu que a Coca-Cola publicasse nos jornais uma correção do conteúdo de campanha publicitária que dizia que muito do que se fala da bebida é mito. A peça publicitária incluía uma atriz famosa dizendo que o consumo de coca-cola é seguro para crianças, que não contém cafeína e que é mentira que causa cáries ou que engorda. A Coca-Cola acatou a exigência, mas jogou o problema para os consumidores: ”Coca-cola contém calorias sim, tem conteúdo ácido sim, mas é de responsabilidade do consumidor regular o seu consumo”. Ainda nesse ano, moradores da Califórnia nos EUA moveram uma ação contra a mesma Coca-Cola após anúncios de sua água “vitaminada” (vitaminwater) prometendo que ela seria capaz de melhorar a força física por contribuir com a integridade estrutural do sistema músculo-esquelético.

    Se a indústria de alimentos quiser manter a confiança dos consumidores, muitas ações poderiam estar sendo implantadas, a começar pela eliminação de campanhas publicitárias enganosas. Deveria também evitar publicidade dirigida às crianças de alimentos sem vantagens nutricionais e informar nos rótulos dos alimentos o conteúdo nutricional de forma mais clara possível. Milhões de mortes poderiam ter sido evitadas se a indústria tabagista tivesse sido honesta já na década de 50 e espera-se que a tragédia sirva de aprendizado para que a sociedade civil e os órgãos regulatórios do governo sejam mais ágeis em cobrar transparência e integridade da indústria alimentícia.

     
  4. 08/04/2009
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    Ricardo Afonso Teixeira

    RECEITA DE SUCESSO PARA COMBATER O TABAGISMO

    Dr. Ricardo Teixeira

    Parar de fumar é o maior investimento em saúde que um fumante pode fazer, atitude que pode lhe render cerca de dez anos a mais de vida. O fato é que grande parte deles quer largar o vício, mas poucos conseguem. Apoio psicológico e medicamentoso são as principais ferramentas que podem aumentar a chance de um indivíduo parar de fumar.

    Alguns estudos chegaram a demonstrar que a combinação dessas ferramentas pode ser mais eficaz do que cada uma delas separadamente. Um estudo conduzido nos EUA e recém-publicado pela revista Annals of Internal Medicine confirma que realmente quando o negócio é parar de fumar, vale a pena apostar todas as fichas. Mais de 700 fumantes foram incluídos na pesquisa e aqueles que, além de medicamentos de distribuição gratuita, receberam também material educacional e suporte psicológico por telefone foram os que tiveram mais sucesso em parar de fumar. Após 2 anos de acompanhamento, a taxa de sucesso em largar o cigarro foi de 23% para aqueles que usaram apenas medicações comparado a 28% entre aqueles que receberam apoio psicológico intensivo.

    Essas taxas de sucesso são bem superiores às taxas anuais de 5-7% habitualmente descritas. Uma possível explicação para esses resultados superiores é a distribuição gratuita dos medicamentos. Esses resultados devem servir de forte inspiração para programas governamentais anti-tabagistas.

     
  5. 03/04/2009
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    Ricardo Afonso Teixeira

    A TERAPIA DE REPOSIÇÃO DE NICOTINA REALMENTE AJUDA A PARAR DE FUMAR

    O cigarro é uma das principais causas de morte prematura no mundo e o fato é que grande parte dos tabagistas gostaria de parar de fumar, tenta parar de fumar, mas a cada ano apenas 2-3% dos fumantes tem êxito em se livrar do tabagismo. Uma das razões para esse baixo sucesso na interrupção do tabagismo é que boa parte dos fumantes ainda não se sente preparada para largar o cigarro de um dia para o outro. Alguns estudos têm revelado que o tratamento com reposição de nicotina pode aumentar a chance de sucesso em parar de fumar ao facilitar a redução do consumo para só depois o indivíduo parar de uma vez.

    Uma pesquisa recém-publicada pelo British Medical Journal confirma que a terapia de reposição de nicotina é realmente eficaz nessa estratégia de reduzir o consumo para depois parar. A análise das principais pesquisas realizadas sobre o tema, envolvendo quase 3 mil indivíduos, evidenciou que, após 6-18 meses de terapia, o sucesso em parar de fumar é duas vezes maior quando comparado ao placebo. Além disso, a terapia não desencadeou efeitos adversos sérios. Só foram incluídos nessa análise os estudos em que os voluntários declaravam não ter intenção de parar de fumar a curto prazo.

    É fortemente recomendado que, ao decidir parar de fumar, o fumante escolha uma data para largar o vício e que também se beneficie de apoio psicoterápico e das terapias medicamentosas atualmente disponíveis, incluindo a terapia de reposição de nicotina. Entretanto, mesmo os fumantes que não têm a intenção de marcar essa data, mas que gostariam de parar com o cigarro, estes também podem se beneficiar do uso da terapia de reposição de nicotina.

    :: Dr. Ricardo Teixeira é Doutor em Neurologia pela Unicamp. Atualmente, dirige o Instituto do Cérebro de Brasília (ICB) e dedica-se ao jornalismo científico. É também titular do Blog ”ConsCiência no Dia-a-Dia” e consultor do Grupo Athena.