O Brasil contrariando a tendência mundial, lidera o crescimento da produção de tabaco. Como o maior exportador de tabaco do mundo, vamos continuar aumentando a produção da famigerada planta enquanto países como EUA e Índia recuam na produção. A avaliação veio do próprio sindicato da categoria “SindTabaco” em Porto Alegre(RS), durante apresentação de pesquisas sobre o funcionamento da cadeia do fumo concentrada no sul do país.
O preço do fumo
A pesquisa sobre o funcionamento da cadeia do tabaco mostrou que os preços do fumo variam menos que os da soja, do milho e do feijão. O produto é o único da agricultura brasileira que tem a cotação diretamente atrelada ao custo. As negociações entre o SindiTabaco e a associação dos fumicultores, a Afubra, são sobre a margem de lucro. Por outro lado, segundo os cientistas de São Paulo, o endividamento corresponde a pelo menos um terço da renda anual. O crescimento da cultura é atribuído à elevação da área de plantio (86%), a novas tecnologias (7%) e ao deslocamento (5%) das zonas de produção.
De longe, o maior produtor de fumo do planeta é a China, com 2,5 milhões de toneladas por safra. Nos últimos anos, o Brasil passou de 700 mil toneladas e deixou Estados Unidos e Índia para trás. As exportações brasileiras cresceram de 8% para 16% entre 1996 e 2005. China, EUA e Índia têm menos de 5% de participação individual nas vendas externas globais.
Os números da indústria do Fumo

As indústrias continuam incentivando o cultivo do fumo no Brasil, contrário a política de outros países que confirmam redução na cultura. A previsão é que a colheita deste ano chegue a 760 mil toneladas (650 mil para exportação). O Paraná responde por 17% da produção nacional, Santa Catarina por 33% e Rio Grande do Sul por 50%.
A perspectiva dos cientistas e do SindiTabaco bate de frente com a avaliação de organizações como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep). O diretor de Políticas Agrícolas da entidade, Mário Plefk, diz que certamente haverá redução no cultivo. Ele considera que existe uma série de ações orquestradas neste sentido. Além da Convenção Quadro, da Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê eliminação do cultivo na próxima década, há programas que inserem pouco a pouco culturas alternativas como frutas, observa.
“O fumo não vai acabar por causa da Convenção Quadro. As pessoas não vão parar de fumar e a cultura é uma importante fonte de renda para o agricultor. Mas, certamente terá sua área reduzida”, assinala. Para o representante da Fetaep, a tendência é o fumicultor produzir menos com mais qualidade e com certificado de que não usa mão-de-obra infantil.
Medidas da Convenção Quadro para Controle do Tabaco
reduzir a demanda por tabaco, com por exemplo a: aplicação de políticas tributárias e de preços; proteção contra a exposição à fumaça do tabaco em ambientes fechados; regulamentação dos conteúdos e emissões dos produtos derivados do tabaco; divulgação de informações relativas a estes produtos; desenvolvimento de programas de educação e conscientização sobre os malefícios do tabagismo; proibição da publicidade, promoção e patrocínio; implementação de programas de tratamento da dependência da nicotina.
reduzir a oferta por produtos do tabaco, como por exemplo a: eliminação do contrabando; restrição ao acesso dos jovens ao tabaco; substituição do cultivo de tabaco; restrição ao apoio e aos subsídios relativos à produção e à manufatura de tabaco;
proteger o meio ambiente;
incluir as questões de responsabilidade civil e penal nas políticas de controle do tabaco, bem como estabelecimento das bases para a cooperação judicial nessa área;
e promover a cooperação técnica, científica e intercâmbio de informação, com: elaboração de pesquisas nacionais relacionadas ao tabaco e seu impacto sobre a saúde pública; coordenação de programas de pesquisas regionais e internacionais; estabelecimento de programas de vigilância do tabaco; e cooperação nas áreas jurídica, científica e técnica.
Saiba mais sobre as medidas para contenção do avanço do tabagismo e da inústria do fumo na página do Instituto Nacional do Câncer, INCA.
Fonte:
- Gazeta do Povo - Economia - Levantamento mostra que preço do fumo varia menos que soja e milho
- Gazeta do Povo - Economia - País contraria tendência e produção de tabaco cresce, aponta pesquisa
- Instituto Nacional do Câncer - INCA - Convenção Quadro para Contole do Tabaco
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25/01/2009 as 3:46 am
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