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Houve um tempo que as propagandas de cigarros não eram tão controladas por nenhum governo, como acontece hoje. Nos anos entre 1927 e 1954, as revistas Life e Saturday Evening Post nos Estados Unidos, venderam ao público a falsa idéia que fumar era seguro. Anúncios criativos e coloridos produzidos pelas companhias de cigarros da época,  eram regularmente exibidos nestes veículos de mídia,  e agora estão em exposição na Biblioteca Pública de New York retratando a “época de ouro” da indústria do tabaco, via Revista Época.

“Como seu dentista, eu recomendo Viceroys”
Enquanto as causas de câncer bucal eram lentamente associadas ao fumo, o cigarro Viceroys exibia dentistas defendendo a marca. De acordo com estatísticas da empresa, mais de 38 mil dentistas aprovavam Viceroys.


Naquela época, as  propagandas alastravam-se pelo mundo em busca de consumidores variados.  Emagrecer com saúde fumando, ou tornando-se um verdadeiro desportista com o  tabaco, era um dos apelos.

“Encare os fatos! Quando a tentação da comida for demais, acenda um Lucky”
O cigarro Lucky Strike criou uma série de propagandas com esportistas saudáveis. Corredores, tenistas e nadadores vendiam o estilo de vida da marca, que fazia questão de alertar em letras miúdas que seus cigarros não reduziam a gordura.



“Proteja-se contra a garganta arranhada. Curta o fumar suave”
A indústria tabagista não hesitou em usar Papai Noel como garoto propaganda de cigarro, cigarrilhas e charutos. O bom velhinho apareceu em inúmeras peças publicitárias da marca Pall Mall nos anos 1950, exalando tanta fumaça quanto uma chaminé. Mas, ao contrário dos atletas saudáveis de Lucky Strike, Noel continuou gordinho

As propagandas estampavam dentistas sugerindo o uso de determinado cigarro para “proteger” os dentes, ou pasmem; bebês anunciando que o Marlboro das mamães era o melhor cigarro que o dinheirinho delas poderiam comprar. A exposição ainda recorre a celebridades que emprestaram rosto e pulmões à indústria tabagista. O ator Ronald Reagan, o esportista Joe DiMaggio.

“Puxa, mamãe, você realmente gosta dos seus Marlboros”
O uso de crianças na propaganda atingia principalmente o público feminino, e fazia parte dos esforços da indústria tabagista para ampliar a base de consumidores. Segundo a peça publicitária, o milagre dos cigarros Marlboro era não “empapuçar” seus usuários.

“20.679 médicos dizem que Lucky Strike irrita menos a garganta”
O cigarro Lucky Strike se dizia capaz de proteger a garganta, e também buscou o apoio de pesquisas médicas. De acordo com a publicidade da marca, datada de 1930, mais de 20 mil médicos aprovavam Lucky Strike como sendo “o menos irritante” do mercado.

As propagandas também poderiam ilustrar uma recente e polêmica descoberta de pesquisadores da Universidade da Califórnia e da Universidade Stanford. Em setembro, eles revelaram documentos secretos que mostram o verdadeiro tamanho dos interesses da indústria tabagista. Artistas como John Wayne, Henry Fonda e Bette Davis receberam milhares de dólares para promover marcas de cigarro durante a era dourada do cinema americano, nas décadas de 30 e 40.

Só a empresa American Tobacco pagou o equivalente atual a US$ 3,2 milhões para ver a marca Lucky Strike nas telas de Hollywood. Entre os artistas mais bem pagos estavam Clark Gable, Gary Cooper e Joan Crawford. Cada um recebeu US$ 10 mil, o equivalente a US$ 100 mil atuais. A indústria tabagista não imaginava que acender um cigarro e sorrir como Clark Gable custaria um preço ainda maior à saúde das gerações que compraram a propaganda de Hollywood. Se o médico que defendeu as maravilhas de Camel não fosse apenas um figurante de publicidade, nenhuma tosse disfarçaria o constrangimento.

Mais médicos fumam Camel do que qualquer outro cigarro”
A marca Camel distribuiu maços de cigarro na entrada de convenções médicas no ano de 1946. Ao final do evento, um grupo de pesquisadores perguntava qual marca de cigarro os médicos levavam no bolso. A resposta não podia ser outra: eram os mesmos maços recebidos antes. A “estatística” virou anúncio.


“Mais cientistas e educadores fumam Kent com o novo filtro Micronite do que qualquer outro cigarro”
O filtro do cigarro surgiu como um diferencial que impulsionou as vendas de marcas como Kent e Viceroys. No entanto, o filtro propagandeado pela Kent como solução protetora continha amianto, uma fibra mineral altamente cancerígena quando aspirada. Apenas 2% dos cigarros continham filtro na década de 50. Com o sucesso da suposta proteção, os cigarros com filtro passaram a ter 50% do mercado.

Felizmente no Brasil, a propaganda de cigarros está proibida, mas; podemos ver como os anos de trabalho da indústria tabagista no imaginário popular, produziu centenas de milhares de fumantes. No passado, as propagandas fizeram muito sucesso aqui  também, criando a mesma aura de prazer e glamour associado ao seu consumo.


Isso me leva a pensar nas consequências de toda essa mentira. Uma falsidade mantida por anos e anos, que viciou milhões de pessoas, e até hoje ainda estimula milhares de jovens a ingressarem no vício.  Para a criança ou o adolescente, começar a fumar representa  o ingresso no mundo adulto, ou a aceitação em um grupo; como foi no passado para nossos pais e avós.

Depois de todos esses anos, a indústria tabagista consegue ainda manter este poder e influência. Impressionante é que todos sabemos disso, mas muitos ainda continuam fumando, enquanto outros estão simplesmente começando. É como se dissessem: “Tudo bem, me enganaram por anos, mas não me importo, continuarei com meus olhos fechados e nada farei.” E para continuar a farsa, começam acreditar em Papai Noel também, fumando como uma chaminé… ;)


Texto: Quando fumar fazia bem a saúde / Revista Época - por Andres Vera - em 10/10/2008 -


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O ator Aaron Eckhart

O ator Aaron Eckhart no filme "Obrigado por Fumar"

O Ministério da Saúde adverte: As mentiras contadas pela indústria do cigarro, podem te matar de rir, pelo menos no cinema! Este é um aviso dirigido principalmente aqueles que ainda não assitiram ao filme “Obrigado por Fumar” (Thank you for smoking).

Talvez você ainda não tenha se dado conta, como a indústria tabaqueira manipula governos e atravessa fronteiras com seu imenso poderio financeiro. Esta indústria influencia economias pelo mundo e, obviamente; mata milhares de pessoas a cada ano e pode estar, agora mesmo; seduzindo seu filhinho a se tornar um novo cliente.

Este é exatamente o tema central de “Obrigado por fumar“, onde o ator Aaron Eckhart faz o papel de Nick Naylor; um porta-voz da indústria tabagista, que “luta para defender o direito de fumar da nação”. Ele sabe exatamente por quê é odiado por milhares de americanos - ele defende uma organização que mata 1200 humanos por dia, ele é o porta-voz da nicotina.

Claro que com um emprego desses, o sujeito tem no mínimo um círculo de amizades da pesada, o que fica garantido com o “esquadrão” MM. Acreditem, é o melhor do humor-negro.

Um trio da pesada representado pelas indústrias de bebidas, armas e cigarros.

Um trio da pesada representado pelas indústrias de bebidas, armas e cigarros, garante boas risadas.

Na verdade; o filme trata da hipocrisia da indústria tabagista que insiste em dizer que cigarros não prejudicam a saúde. Assim, contratam caras como Naylor, bacharel em ofender e ser xingado. Os maiores absurdos ditos pela boca do “lobista bonitão” que se envolve com a personagem de Katie Holmes no filme, mostra exatamente, como a indústria se utiliza das imagens “sedutoras” para promover seu império.

Na vida real, não é nada distante disso. Documentos internos de grandes companhias de tabaco abertos ao público, devido a ações judiciais nos Estados Unidos, mostraram a todo o mundo como é a verdadeira face destas companhias.

Em vários desses documentos, as empresa tabagistas falam como é importante ter cada vez mais jovens como consumidores, para preservar o futuro comercial das indústrias:

O ator AAron Eckhart interpretando o lobista sedutor da indústria tabagista

O ator Aaron Eckhart interpretando o lobista sedutor da indústria tabagista

Se a companhia quiser sobreviver e prosperar no longo prazo, devemos conseguir uma fatia de mercado jovem… Assim nós precisamos elaborar novas marcas que sejam particularmente atraentes para o jovem fumante, e ao mesmo tempo agradem todos os fumantes…Talvez essas questões possam ser melhor abordadas considerando os fatores que influenciam os pré-fumantes a experimentarem um cigarro, aprender a fumar e se tornar fumantes definitivos.
(R.J. Reynolds 1973)

O ator Aaron Eckahart e a atriz Katie Holmes na cena do filme Obrigado por fumar

O ator Aaron Eckahart e a atriz Katie Holmes na cena do filme "Obrigado por fumar"

As empresas habilmente exploram em campanhas publicitárias a divulgação de seus produtos:

“O primeiro cigarro é uma experiência ruim para o principiante. Para dar conta do fato de que o fumante iniciante tolerará as sensações desagradáveis (do primeiro cigarro) nós precisamos evocar motivos psicológicos. Fumar um cigarro para o iniciante é um ato simbólico. Eu não sou mais a criança da minha mãe, eu sou forte, eu sou um aventureiro, eu não sou quadrado… A medida em que a força do simbolismo psicológico diminui, o efeito farmacológico assume o papel de manter o hábito.”
(Phillip Morris, 1969)

“Várias crianças, quando elas começam, não gostam do sabor do cigarro e elas começam a tossir. Mas um cigarro com sabor, digamos cereja, eles podem parecer melhor. E pode matar o gosto (ruim do cigarro) para eles e eles podem começar mais cedo.”
(Brown & Williamson, 1984)

Aliado as campanhas de publicidade, estão as estratégias que promovem a redução de custos de produção, de plantio e manufatura, o que garantirá baixos preços para os produtos finais produzidos com tabaco (cigarros, cigarrilhas, rapé, etc). Essa é mais uma estratégia que visa alcançar principalmente os jovens, oferecendo um produto de baixo custo e altamente viciante.

Robert Duvall atua neste polêmico filme

Robert Duvall atua neste polêmico filme "Obrigado por fumar"

Outras estratégias estão descritas nos documentos internos da indústria de tabaco British American Tobacco (BAT), abertos ao público através de processo ocorrido nos EUA . Os materiais descrevem alguns objetivos e estratégias do Programa Corporativo de Responsabilidade Social dessa companhia e deixam claras suas reais intenções:

“… Ampliar o acesso e influenciar reguladores e políticos.”

“… Promover uma reputação positiva a fim de melhorar nossa capacidade de formatar o futuro ambiente para os negócios.”

“… Entre os projetos estão uma clínica para diagnóstico de doenças; acomodação para os sem teto; assim como patrocínio de programas de arte e de educação. Para BAT tais programas não só conquistam aliados nos mercados locais como abrem as portas de políticos e reguladores “

Também revelam as reais intenções de iniciativas promovidas por companhias de fumo para prevenção da iniciação entre jovens:

“Nosso objetivo é comunicar que a indústria do tabaco não está interessada em que os jovens fumem e posicionar a indústria como uma ‘corporação cidadã responsável’ num esforço para repelir novos ataques pelo movimento anti-tabaco.”
(Philip Morris – América Latina: Campanha dirigida ao Jovem da América Latina, 1993)

“… Um programa para dissuadir os adolescentes de fumar (uma decisão adulta) poderia prevenir ou retardar outra regulamentação da indústria do tabaco.”
(Tobacco Institute, 1982, apud Campaing for Tobacco Free Kids 2001)

Maria Bello em cena de Obrigado por fumar

Maria Bello em cena de "Obrigado por fumar"


“Se pudermos apresentar uma legislação proativa ou outros tipos de medidas sobre a questão do acesso da juventude aos cigarros… protegeremos a nossa indústria durante décadas por vir.”
(Philip Morris, 1995, apud Campaing for Tobacco
Free Kids, 2001)

Cartaz do filme "Obrigado por fumar"

“A crescente pressão das forças contra o tabaco na América Latina criou a necessidade de explorar várias opções para contrapor a publicidade negativa…Tendo em conta o clima legislativo adverso emergente na região, temos uma oportunidade de criar boa vontade para a indústria do tabaco e propor uma campanha pública para desestimular o consumo de cigarros entre jovens”
(Philip Morris, 1994 apud Campaing for Tobacco Free Kids 2001)

O filme “Obrigado por fumar” apresenta denúncias muito parecidas com essas. Hoje, depois de assistir ao filme, eu, que fumei por exatos 24 anos, fiquei me sentindo uma completa idiota :( mas fiquei feliz e aliviada em não fumar mais.

O que me alivia do remorso de anos jogados fora com o tabagismo, é acreditar na possibilidade de parar de fumar e viver uma vida mais saudável!

Aqui você pode assistir algumas cenas desta comédia polêmica e inteligente. As gargalhadas são garantidas com as artimanhas que a indústria tabagista usa para aprisionar suas vítimas. Sem legendas no youtube :(  Excelente filme, recomendo!

Fontes:
British American Tobacco (BAT)http://old.ash.org.uk/html/conduct/pdfs/bat2005.pdf

Secretary General’s Report to ECOSOC on the activities of the UN Ad Hoc Inter-Agency Task Force on Tobacco Control http://www.who.int/tobacco/communications/events/ecosoc_2006/en/index.html

Instituto Nacional do Câncer :http://www.inca.gov.br/tabagismo/

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A cardiologista Jaqueline Scholz Issa apresenta seu livro”DEIXAR DE FUMAR FICOU MAIS FÁCIL”. O mérito deste simpático trabalho é tratar o assunto com respeito e objetividade. O livro informa o que é necessário saber, baseado em pesquisa e na longa prática da autora, cardiologista que coordena o Ambulatório de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração da FMUSP Incor de São Paulo.Essencial para quem está flertando com a idéia de parar de fumar, ou já tentou e não conseguiu. Prefácio do Dr. Adib Jatene.

O jovem mantém a indústria do tabaco e ela conhece a vulnerabilidade desse público”. É o que afirma a Dra. Jaqueline. Ela trouxe para o Brasil, em 1993, a iniciativa do Dia Mundial Sem Tabaco. Neste ano, o tema da campanha coordenada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é “Juventude Livre do Tabaco”. O adolescente ainda é uma das principais vítimas do cigarro, segundo a médica, apesar de o Brasil ter evoluído no combate ao fumo. No último dia 02 de Junho ela falou à Folha sobre tabagismo.

FOLHA - Por que o jovem é o foco da campanha desse ano?
JAQUELINE SCHOLZ ISSA - Ele mantêm o negócio da indústria. Depois, quando vai envelhecendo, tende a parar de fumar. Ou porque morre, ou porque adoece, ou quando após 20 anos de fumo diversas conseqüências começam a aparecer. Então, uma nova safra de jovens é atingida para manter o mercado.

FOLHA - Como ele é fisgado?
JAQUELINE - As características da adolescência o deixam vulnerável. A indústria sabe disso. Não tem mais publicidade direta, mas tem publicidade no ponto de venda, misturado com docinho, balinha. O jovem não pensa no amanhã. Ele acha que tem total domínio e controle. Mas de seis meses a dois anos de uso, ele perde a autonomia.

FOLHA - Mas tivemos uma redução no consumo ao longo dos anos?
JAQUELINE - Na década de 80, o Censo mostrou que a prevalência entre adultos era de 30%. Recentemente, por pesquisas amostrais, sabemos que é de 20% no Brasil. Tínhamos uma parcela grande da população condescende com o tabagismo e que achava até bonito fumar.

FOLHA - Esse dado também vale para o jovem?
JAQUELINE - Os dados são controversos e, no Brasil, variam muito. No Sul, as meninas fumam mais que os meninos. No Estados do Nordeste, elas fumam menos. A idade em que o jovem começa a fumar caiu para 13 anos. Era entre 15 e 16 na década de 80. Essa geração é beneficiada por não ter propaganda. Hoje, o jovem que fuma mais é de nível sociocultural mais baixo. Se não tivesse sido feito nada, o consumo entre os jovens teria disparado.

FOLHA - E o que o Brasil fez para conter essa disparada?
JAQUELINE - O Brasil é um país que, apesar de ser grande produtor de tabaco, tem resultados objetivos na política antitabaco. A OMS preconizava três medidas básicas para reduzir o consumo no mundo. A primeira era criar ambientes livres de tabaco. A segunda, a restrição à propaganda. E a terceira, o aumento de preço. O Brasil restringiu a propaganda e umas cidades criaram o ambiente livre.

FOLHA - O que precisa melhorar?
JAQUELINE - Tem que ser criada uma política de aumento de preço e aumentar os investimentos em fiscalização a quem vende cigarro a menores.

FOLHA - E qual é a reação da indústria diante dessas medidas?
JAQUELINE - A indústria sabe o que faz em relação à população, e isso está provado em documentos que tiveram que ser abertos à Justiça americana após o escândalo da supernicotina em 1996. O FDA [órgão que regula o setor de saúde nos EUA] afirmou que a nicotina do tabaco era turbinada, com inclusão de amônia e até modificação genética da folha do fumo. Começaram a sair documentos que a indústria produzia em termos de mídia e de marketing. Descobri que eu estava nos arquivos da Philip Morris, em função das minhas pesquisas sobre o cigarro.

FOLHA - Os documentos revelam informações sobre o público jovem?
JAQUELINE - Um documento da J.R. Reynolds tratou os jovens como um número. Tem dados de em que idade a pessoa começa a fumar, se muda de marca ou não, com que idade começam a parar, quanto que o mercado precisa de reposição. Outro documento mostrou que a Philip Morris tinha um projeto fundamentado na imagem que o cigarro poderia ter para o adolescente, relacionando o cigarro ao ritual de passagem para uma vida adulta, além de toda uma mídia voltada a isso.

FOLHA - A mulher também é uma aposta da indústria?
JAQUELINE - Sim. Era um mercado a ser ganho. Mostrei em 1996 que as mulheres têm mais dificuldade para largar o cigarro, mas descobrimos que a indústria já sabia disso desde a década de 60.

FOLHA - Como o Dia Mundial Sem Tabaco foi trazido para o Brasil?
JAQUELINE - Na época, o Brasil tinha pessoas que lutavam contra o cigarro que não tinham espaço na mídia. A gente conseguiu, com o nome do InCor e com muito material passado pela OMS atingir a mídia. O volume de notícias produzidas contra o fumo cresceu muito. A ação da mídia foi fundamental.

FOLHA - Por que o último relatório da OMS foi tão catastrófico, mostrando que o cigarro pode matar 1 bilhão de pessoas no século 21?
JAQUELINE - Porque em outros países emergentes a questão é outra e está explodindo o tabagismo. Em populações muito maiores como China e Índia, quase 70% da população masculina é fumante.

Entrevista concedida à MÁRCIO PINHO
da Folha de S.Paulo no dia 02 de Junho de 2008

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