Não entendo essa ligação tão profunda que temos com o cigarro, mesmo não apreciando mais o sabor, não suportando o cheiro, sinto vontade de fumar ainda! Lembro de cigarro várias e várias vezes, mesmo tentando manter o pensamento distante da nicotina, quando menos espero… estou com vontade de fumar!

Mas ontem; tive uma singular vontade de fumar. Resisti desviando como pude a atenção e não fumei! No começo da noite estava melhor, mas durante toda a tarde foi terrível. Eu não sentia esse desejo avassalador de fumar há muitos dias. Vi várias pessoas fumando e fiquei com muita vontade. Sentia o cheiro da fumaça e isso me estimulava a querer fumar. Foi muito difícil!

FALSOS PRAZERES

A falsa sensação de prazer do cigarro me rondava. O Ferro do blog CAFÉ SEM FUMAÇA fala em um artigo sobre essa falsa sensação de prazer do cigarro
” - Levei mais 15 anos jogando fumaça dentro do peito diariamente por achar que aquilo me dava prazer. Prazer esse que, transcorridos 150 dias sem fumar, sequer sou capaz de descrever porque ele não é e nunca foi palpável, sendo apenas fruto da minha imaginação controlada pelo vício.”

Fato é que; no meu caso, estando distante há 2 meses do cigarro; algumas vezes não lembro dele, outras vezes tenho uma vontade enorme de fumar! Ontem foi um dia repleto desses momentos. Cheguei a olhar para cigarros com água na boca, como se fosse uma deliciosa sobremesa!

TRAGÉDIAS FAMILIARES

Eu fiquei resistindo, buscando minhas motivações internas para não fumar. Lembrei-me das pessoas queridas que morreram vítimas de cigarro. Pessoas que não conseguiram ou nem tentaram parar de fumar. Lembrei-me de tristes ocasiões como a perda do meu tio e de uma amiga de muitos anos de convivência, que faleceram no ano passado. Essas lembranças ajudaram-me ontem, nos momentos de fissura, a manter distância do cigarro. Lembrei-me deles, queridas pessoas vitimadas pelo cigarro cedo demais! E vejo que várias pessoas que querem e estão parando de fumar tem este mesmo histórico de tragédias familiares. Como neste relato nas palavras do Ferro:


“Pelos depoimentos que andei lendo nesses últimos 150 dias sem cigarro, prestei atenção num detalhe: parece que todos nós temos uma história familiar trágica para contar.
Perdi meu pai há 15 anos atrás vitimado por um carcinoma invasivo de laringe. Câncer este provocado em grande parte pelo tabagismo. Ele faleceu com apenas 57 anos de idade e passou os últimos meses de vida como um verdadeiro vegetal, pois teve uma ruptura de carótida logo depois da 2ª cirurgia no pescoço, realizada no INCA do Rio de Janeiro em outubro de 1992 e só veio a falecer em março de 1993 já em nossa cidade - São Luís - depois de 6 meses de total indiferença ao mundo, aos familiares e aos amigos que o visitavam. Não reconhecia ninguém, não comia, não bebia e foi definhando até morrer em meus braços por falência múltipla dos órgãos no dia 14 de março de 1993. Eu tinha 30 anos e já fumava desde os 15.
No ano seguinte perdi meu tio, irmão do meu pai, vitimado por um enfarto fulminante. Contava com 59 anos e fumante desde os 14 anos.
Depois disso, assim como alguns amigos dos blogs que costumo ler e freqüentar, buscava justificativas para aceitar o que aconteceu com meus queridos parentes e acreditar ser obra do acaso ou uma mera fatalidade familiar. Queria fazer crer que todo mundo tem uma missão na vida e que ela se encerra no momento certo e que nada pode mudar tal destino, seja essa pessoa fumante ou não.
Entretanto, depois de longos 15 anos, cheguei a triste conclusão que eu estava apto e rapidamente me candidatando a engrossar essa lista da “obra do destino”.
Não adianta ser fiel a um Deus (meu pai era e muito!) acreditar que “coisa ruim” só acontece com os “outros” e que estamos imunes as tragédias. Somos todos iguais e estamos fadados às mesmas ameaças se não cuidarmos direitinho de nossa frágil máquina de carne e ossos.
Mesmo depois da morte do meu querido pai, ainda levei 15 anos fumando e tentando me enganar acreditando sempre que apenas a fatalidade o levou.
Levei mais 15 anos jogando fumaça dentro do peito diariamente por achar que aquilo me dava prazer. Prazer esse que, transcorridos 150 dias sem fumar, sequer sou capaz de descrever porque ele não é e nunca foi palpável, sendo apenas fruto da minha imaginação controlada pelo vício.
Hoje eu parei para pensar se o destino realmente tem influência decisiva na nossa vida ou se nós é que o construímos e o moldamos. Pois o meu destino poderia estar bem definido se continuasse consumindo minha dose diária de 25 cigarros e quiçá conseguiria chegar pelo menos aos 57 anos do meu pai. Certamente que não!
Não nos enganemos nunca mais amigos. Fumar mata! E quando não mata cedo, deixa sequelas irreparáveis e irreversíveis pelo resto da vida!”
Continue lendo aqui.



Parei de fumar para viver uma vida mais saudável no presente e no futuro, ao lado de todos que eu tanto amo. Não quero engrossar a lista da “obra do destino” depois de meus 24 anos fumando. Vou resistir e sei que vou parar de fumar. Tem sempre alguém com uma estória triste sobre cigarro para contar, não é mesmo?! Mas estas tristes estórias talvez sirvam para motivar e conscientizar os que não querem tornar-se as próximas vítimas do cigarro.


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6 comentários para “A próxima vítima do cigarro”
  1. Glaucia,

    É assim mesmo, até hoje me vejo pensando no cigarro, porém é como você mencionou, qual o prazer do cigarro? Não sei lhe responder esta pergunta, sei lhe responder o seguinte:
    O prazer de fumar é o alivio que traz o desprazer de ficar abstêmio por mais de 30 minutos, ou seja, temos prazer por aliviar uma sensação de falta da nicotina causada pela dependência quimica criada pelo vício de fumar, o próprio conceito de escravidão, somos ratos de laboratório levando choques em busca da recompensa, já pensou nisso?
    Comecei a buscar o alivio a minhas angunstias e stress na corrida, hoje já corro 12 km em pouco mais de uma hora, além de me ajudar no peso me alivia o stress e até a aquela sensação de falta de fumar, pois depois de uma hora correndo a ultima coisa que você pensa é em fumar e dai você sabe para que serve de fato seu pulmão, é uma sensação ótima, eu recomendo.
    Abraços.
    vinho.

  2. Que inveja hein?! 12 km…tenho que começar a correr hoje mesmo! E eu aqui com a maior preguiça de malhar… Certamente um fumante não tem a menor chance de fazer uma coisa dessa! Vc está certo, pulmão não foi feito para respirar fumaça e sim AR puro! Parabéns!

  3. Glaucia, incrível como nesse universo de blogs que freqüentamos diariamente, sem contar nos dos amigos BCT’s eu ainda não tivesse feito uma visitinha ao seu blog. E o melhor, no dia em que o visito vejo um belíssimo comentário seu sobre um depoimento meu que muito me emociona. Falar do meu velho pai sempre me deixa com os olhos cheios d’água. Obrigado pela homenagem que você me prestou e espero que o comentário tenha lhe servido.
    Prometo de agora em diante passar aqui mais vezes e torcer junto com você para que NUNCA MAIS NA VIDA voltemos a colocar um cigarro na boca.
    Sucesso minha nova amiga.

  4. Obrigado Ferro! Sua visita será sempe bem-vinda aqui. Eu adoro visitar os BCT’s para ler depoimentos como esse que vi em seu blog, são uma inspiração e conscientização ao mesmo tempo para mim. Espero sua visita outras vezes aqui e sucesso para todos nos. Beijão!

  5. Sebastião Epaminondas da Silva diz:

    Fumava 35 cigaros por dia. Hoje está fazendo 6 dias que apenas vejo o cigarro, mas, não fumo. Fico triste em saber que ele estava me fazendo mais mal do que bem. Quando fumava, não ficava nessa pensando no cigarro e sim no que queria fazer, mas, não fazia direito, pois, minhas pernas não aguentava. Hoje, penso em fazer, mas, não seio o quê. Minhas pernas parou de doer. Sou advogado, não consigo fazer nada completo. Talvéz seja a vontade de fumar que não deixa. Quero trabalhar porra. Me chingo e meus olhos estão cansados de olhar o tempo passar. Quero pensar que tenho uma saída. Não estou aguentando ficar assim. Se queizer me ajudar! Aja logo, pois, pareço que sou um perdedor………………

  6. OI Sebastião! Não desanime, parar de fumar é duro mas não podemos fraquejar diante da batalha, senão o cigarro ganha a luta! Você está passando pelos dias mais difíceis, onde as crises de abstinência são mais fortes, tenha um pouquinho de paciência que daqui a pouco você não vai se sentir tão mal assim e vai conseguir se concentrar novamente no seu trabalho. Estou torcendo por você! Boa sorte!

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